"Nove camiões estão atualmente a descarregar em Daraya. Contêm ajuda alimentar, alimentos secos e sacos de farinha, ajuda não alimentar, bem como ajuda médica", afirmou o diretor de Operações do Crescente Vermelho sírio, Tammam Mehrez. O responsável destacou que a ajuda alimentar é suficiente "para um mês", mas não especificou o número de pessoas, ou de famílias atendidas. Mais cedo, o Crescente Vermelho anunciou que a operação era realizada com a cooperação das Nações Unidas.

Sob o poder dos rebeldes, a câmara local de Daraya publicou um vídeo, com imagens do que seriam veículos da ONU a chegar à cidade ao anoitecer. Bastião rebelde altamente simbólico, Daraya foi uma das primeiras cidades a rebelar-se contra o regime, em 2012, e também uma das primeiras a ser sitiada.

Atualmente, cerca de 8 mil pessoas ainda vivem nessa localidade, situada 10 km a sudoeste de Damasco. Muitas sofrem privações e desnutrição, segundo a ONU e ONGs internacionais. "Não eram muitos os habitantes que esperavam o comboio, porque já não acreditavam mais nas promessas", disse à AFP o militante Shadi Matar, contactado pelo Facebook. "Com os bombamentos à cidade (por parte do governo), as pessoas já não se atrevem a sair e reunir", acrescentou. 

Shadi Matar afirmou, porém, que "as incursões diminuíram de intensidade hoje, pouco antes da chegada do comboio, à noite". Segundo o militante, "os alimentos não dão para todos os habitantes sitiados. Informaram-nos que se trata de uma parte das ajudas".

A entrada da carga humanitária aconteceu algumas horas depois do anúncio do enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, de que o governo sírio autorizou a ONU a enviar ajuda por estrada, em junho, às 19 cidades sitiadas. De acordo com as Nações Unidas, cerca de 592.700 pessoas vivem nessas quase 20 áreas.

O governo de Damasco sempre negou a deixar entrar ajuda em Daraya, já tendo autorizado a chegada de auxílio noutras localidades. Há quatro anos, o governo tenta recuperar essa cidade situada muito perto da base aérea de Mazzé, sede dos serviços de informação das Forças Aéreas e da sua prisão.

Numa das cidades mais afetadas, Madaya, onde mais de 40.000 pessoas vivem cercadas há meses, 46 pessoas morreram de fome entre 1º de dezembro de 2015 e final de janeiro de 2016, segundo a Médicos sem Fronteiras. No mês passado, os 20 países e organizações do Grupo Internacional de Apoio à Síria (GISS) estabeleceram 1 de junho como o último prazo para que os comboios pudessem chegar às cidades cercadas. Caso contrário, a ONU lançaria a comida por aviões. Na última sexta (3), a ONU anunciou que ampliaria esse prazo até 10 de junho.

Desde o início da revolta contra o governo de Bashar al-Assad, em março de 2011, a guerra deixou mais de 280.000 mortos e deslocou milhões de pessoas. A trégua é rompida com frequência desde o final de abril, e as negociações de paz estão paradas.

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