A nomeação do juiz norte-americano Brett Kavanaugh para o Supremo Tribunal dos EUA foi votada favoravelmente pelos 11 senadores republicanos do Comité Judicial do Senado contra os 10 votos dos senadores democratas. A vitória numérica está longe, contudo, de traduzir consenso entre os republicanos, já que foi precisamente um senador do partido em maioria - Jeff Flake — a propor que a votação final no Senado seja atrasada uma semana para que o FBI possa investigar as acusações de abuso sexual de que Kavanaugh foi alvo.

Após a recomendação do Comité Judicial do Senado, cabe à câmara alta do Congresso dos Estados Unidos votar, em sessão plenária, a confirmação do magistrado. Nessa votação final será preciso que pelo menos 50 dos 51 senadores do Partido Republicano confirmem a nomeação.

Atualmente, os republicanos detêm uma curta maioria no Senado, 51 lugares contra os 49 dos democratas.

A votação de hoje, que estava inicialmente prevista para às 13:30 hora local (18:30 em Lisboa) mas que acabou por ser realizada com vários minutos de atraso, está envolta em forte polémica, uma vez que Brett Kavanaugh, um juiz conservador de 53 anos que foi apontado em julho passado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para ocupar um lugar na mais alta instância judicial norte-americana, está a ser acusado de má conduta sexual por pelo menos quatro mulheres.

Christine Blasey Ford acusa Brett Kavanaugh de tentar violá-la durante uma festa em 1982, quando ambos frequentavam o ensino secundário. “Acreditei que ele ia violar-me”, declarou, ontem, perante a Comissão do Senado a professora universitária, num tom emocionado, segundo descreveram as agências internacionais.

Ford garantiu que não existiu qualquer engano sobre a identidade do agressor, sublinhando que sentiu que era sua responsabilidade contar a verdade. Diante dos senadores, Christine Blasey Ford declarou que a agressão está gravada na sua memória e que a tem perseguido ao longo dos anos.

A par de Christine Blasey Ford, pelo menos outras duas mulheres acusaram publicamente, até ao momento, Brett Kavanaugh de má conduta sexual.

Kavanaugh, também ouvido ontem no mesmo forum, sustentou por seu lado que o seu processo de confirmação para um lugar vitalício no Supremo Tribunal norte-americano se “tornou numa vergonha nacional”. “A minha família e a minha reputação foram destruídas para sempre”, disse, denunciando o que considera ser um “golpe político orquestrado e assegurando que não se deixará intimidar.

“Podem derrotar-me na votação final, mas nunca me farão desistir. Nunca”, disse.

Kavanaugh, que se engasgou e esteve por várias vezes à beira das lágrimas, “negou categoricamente” todas as acusações de Christine Blasey Ford, garantindo que nunca fez as coisas de que é acusado à professora, nem a nenhuma outra mulher.

Durante a audição pública e transmitida em direto na televisão, a professora universitária de 51 anos afirmou que decidiu testemunhar porque acreditava que tinha esse “dever cívico”.

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