O ansiado dia em que Portugal ia conhecer o seu novo Governo para os próximos quatro anos, um executivo nascido da maioria absoluta conquistada pelo Partido Socialista no início deste ano, começou cedo com a chegada dos jornais às bancas. Na capa do jornal Inevitável já se jogava o típico jogo de antecipação que marca estes dias.

À medida que as horas iam passando, vários meios iam avançando nomes para esta e aquela pasta, novidades, promoções e ministros e ministras que se mantinham nos cargos, até que ao início da tarde foi divulgada por José Gomes Ferreira, na SIC, uma lista completa de todo o Governo.

Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha marcada para hoje, às 20h00, no Palácio de Belém, uma audiência com o primeiro-ministro, para receber e aprovar a lista oficial de nomes que compunham o novo executivo, não gostou. E à SIC, à porta da sua residência oficial, disse-o sem papas nas línguas :"Se aquilo que corre na comunicação social for confirmado, dispensa-se uma audiência. Pelos vistos, fiquei a saber pela comunicação social".

A audiência caiu perante a lista — que mais tarde se veio a saber que não estava totalmente correta —, depois do encontro com António Costa na sessão comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, no Pátio da Galé.

Mais tarde, à entrada para uma reunião com o grupo parlamentar do PS, na Assembleia da República, o primeiro-ministro foi questionado sobre a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de dispensar a audiência, depois de divulgada a lista por órgãos de comunicação social.

“Obviamente, eu só posso partilhar da mesma irritação que o Presidente da República. Todos sabemos que deve haver normas institucionais. Os jornalistas conseguiram a fuga de informação, só tenho de dar os parabéns a quem fez a fuga”, disse António Costa, acrescentando que “é lamentável que tenha acontecido”.

Interpelado sobre se há um mal-estar entre o Governo e a Presidência da República, o primeiro-ministro respondeu “não”.

“Estive várias horas ao lado do Presidente da República hoje e não manifestou nenhuma irritação. Se ele estiver irritado, eu percebo bem, porque não estou menos irritado do que ele. Se há uma coisa de que tenho a certeza que o Presidente da República sabe é aquilo que os senhores jornalistas também sabem. A fuga não veio de mim, não veio do meu gabinete, não veio de ninguém que dependa de mim”, concluiu.

A lista de 18 nomes, que em poucas horas conseguiu abalar relações institucionais, foi divulga pelas 19h30 com a composição oficial do novo Governo que tem "17 ministros e 38 secretários de Estado, menos 20% de governantes do que no executivo precedente” e uma estrutura distinta da de 2019.

Para além do novo Governo de Portugal, ficámos também a saber — oficialmente — que Augusto Santos Silva é o nome proposto para a presidência da Assembleia da República e que Eurico Brilhante Dias será o líder parlamentar do PS.

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