A crítica política e social, que era quase norma no cortejo, está cada vez menos presente, mas, por entre as dezenas e dezenas de carros, encontravam-se críticas ao Governo, em especial aos setores da saúde e da justiça, bem como referências à emigração, aos incêndios e ao Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.

Dos carros da Faculdade de Medicina, surgiam as principais críticas, com os estudantes a perguntarem "Baixo défice ou melhor saúde?" ou a referirem que lutam "contra um SNS [Serviço Nacional de Saúde] fraturado".

Também o primeiro-ministro, António Costa, foi alvo da sátira dos estudantes, surgindo, num carro, a usar o Zé Povinho como o seu cofre e, noutro, ao lado de um avião, numa alusão à emigração.

O líder dos Estados Unidos não foi esquecido neste cortejo, aparecendo com o cérebro à vista no carro de Psicologia e noutro a segurar uma cerveja ao lado de Kim Jong-Un, com um míssil a separá-los.

Dos carros de Direito, a Justiça surgia, num deles, vendada pelo dinheiro e, noutro veículo, com uma balança em que o dinheiro pesava mais do que o Código Civil.

Da Faculdade de Letras, surgia a proposta para criar um "muro à volta da intolerância".

Referências sexuais, à boémia e ao álcool estiveram também muito presentes nos carros alegóricos do cortejo da Queima das Fitas de Coimbra, numa edição em que a organização queria lutar contra o desperdício que se tem verificado nos últimos anos, com os banhos de cerveja a passarem a ser usuais entre os estudantes.

No local, a agência Lusa não encontrou qualquer mensagem a apelar ao fim desse desperdício e a ‘tradição’ continuava, com os estudantes a furarem latas de cerveja para molhar os colegas, num dia quente e soalheiro, em que os próprios estrangeiros imitavam esta prática.

"Cortejo é em Coimbra. É um espírito espetacular. Não há melhor sítio", disse à agência Lusa Miguel Dias, estudante da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, que assistiu pela terceira vez ao cortejo.

O seu colega da UBI José Correia sublinhou que o cortejo em Coimbra é maior em dimensão e acaba por ser especial por ser "o berço dos estudantes", recordando o lema deste ano da festa: "A Queima é em Coimbra, o resto são fitas".

"Coimbra o que tem é a Universidade e então, que aí seja à grande. O cortejo em Coimbra é à grande e é à grande todos os anos", comentou Rui Manuel, estudante de 26 anos da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC).

Ida e Clementine, estudantes da Noruega que estão a estudar na Universidade de Coimbra, souberam logo do cortejo no primeiro dia em que chegaram à cidade.

"Temos uma coisa parecida na Noruega, mas aqui é mais bonito, tem muito mais cores", comentaram, apontando para os carros, que vestiram as cores das diferentes faculdades e instituições de ensino superior da cidade.

Já Eliseu, de 52 anos, decidiu há meia dúzia de anos ir até Coimbra assistir ao cortejo e, desde então, faz sempre a viagem da Guarda até à cidade dos estudantes por esta altura.

"Tomei gosto a isto. É muito bonito ver os carros, ver a animação. Vale muito a pena", sublinhou.

Neste ano, participaram 93 carros, 37 dos quais a concurso para melhor carro do cortejo.

Depois do cortejo, que começa na Alta e termina na portagem, a festa prossegue na Praça da Canção, onde atua, como é hábito, Quim Barreiros.

As noites de concertos estendem-se até dia 11.

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