Em comunicado, a direção nacional do Chega “repudia profundamente a requisição civil da unidade hoteleira Zmar”, decretada “unilateralmente pelo Governo da República”, e considerou a decisão “inqualificável e inconcebível numa democracia moderna”.

“Parece que regressámos aos tempos do PREC”, lê-se no comunicado, numa referência aos meses que se seguiram ao 25 de Abril, até ao 25 de Novembro de 1975.

“Há muito tempo que o Governo tinha conhecimento da perigosa - em todos os sentidos - situação de imigração e sobrelotação habitacional no concelho de Odemira, sendo o Governo o único responsável pelo sucedido”, afirma o Chega, que, no passado, chegou a defender o confinamento específico da comunidade cigana.

Por outro lado, criticou ainda que atribuir responsabilidades “para os proprietários do Zmar é inconcebível e inaceitável”, e prometeu apoiá-los e à população de Odemira, que “se sente injustamente afetada pela situação específica de um determinado setor laboral e das comunidades migrantes que têm, em excesso, chegado àquela zona do país”.

A requisição decretada pelo Governo é contestada por cerca de 20 proprietários com habitações no Zmar e o advogado Nuno Silva Vieira, que representa a maioria, afirmou que o complexo "não é apenas um parque de campismo, mas sim um espaço onde existem várias habitações particulares".

O primeiro-ministro anunciou no final do Conselho de Ministros, na quinta-feira, que o executivo iria fazer requisições naquele município alentejano, com o objetivo de instalar pessoas infetadas, pessoas em risco de contágio e também população que vive em situação de "insalubridade habitacional admissível, com hipersobrelotação das habitações", como é o caso de trabalhadores agrícolas emigrantes, entre os quais têm sido detetados surtos de covid-19.

O Zmar situa-se na freguesia de Almograve-Longueira, umas das duas freguesias - juntamente com São Teotónio - do concelho de Odemira, distrito de Beja, que estão sob cerca sanitária para controlo epidemiológico.

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