O dstgroup vai assumir o pagamento dos salários de todos os membros da Companhia de Teatro de Braga, anunciou hoje a empresa. Em comunicado, José Teixeira, presidente do conselho de administração do dstgroup, diz que "um país sem cultura não sobrevive" e, por isso, "não podendo acorrer a tudo, independentemente de outros apoios sociais do grupo", a empresa vai "assegurar os salários dos 14 trabalhadores da Companhia de Teatro de Braga nos próximos três meses, fora do subsídio plurianual e apoio" que já lhe atribuíam.

Para o empresário, "as frentes abertas pelo demónio, covid-19" exigem inúmeras responsabilidades aos empresários. Mas, para além de garantir que não há despedimentos e que são pagos os salários aos quase 1.800 trabalhadores, era necessário "dar mais um sinal à Economia", escreve José Teixeira em comunicado.

"Pela nossa salvação coletiva: apoiem a cultura", sublinha José Teixeira, que torna o comunicado público na esperança de que "outros encontrem uma entidade de produção de cultura para apoiar neste momento, para todos desesperado, mas muito mais desesperado para os que vão perder o que não têm".

"Nada resistirá, com todos os esforços levados ao seu limite, com todos os recursos utilizados, sem cultura e sem os profissionais da cultura, sem aqueles que, com a sua produção artística, nos permitem ser mais competitivos", defende."

"Se neste tsunami perderemos dinheiro? Sim perderemos uma parte, mas ficaremos com a restante parte e outra, a principal, aumentada: a confiança dos nossos trabalhadores, dos nossos fornecedores e dos nossos parceiros e isso é valor que não tem preço e nos permitirá surfar as ondas do futuro", afirma José Teixeira.

Para além de garantir o pagamento dos ordenados aos seus próprios trabalhadores e os compromissos com fornecedores e parceiros, "independentemente dos recursos colocados à nossa indústria pelo Governo da República e pela banca", sem sequer travar a admissão de novos trabalhadores: "com o tal demónio a espernear em fevereiro, admitimos 66 trabalhadores e no presente mês de março, até hoje, 49 novos trabalhadores. Hoje aprovamos a admissão de mais três trabalhadores", escreve.

"Não, não despedimos ninguém, nem os que estão à experiência serão dispensados a não ser por razões de desfasamento com a nossa psique e de mau desempenho. Até hoje isso ainda não aconteceu a nenhum".

"Se cairmos, e Deus nos ajude para que isso não aconteça, cairemos todos", diz ainda.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 480 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 22.000.

Em Portugal registaram-se 60 mortes, mais 17 do que na véspera (+39,5%), e 3.544 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que identificou 549 novos casos em relação a quarta-feira (+18,3%).

Dos infetados, 191 estão internados, 61 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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