A maioria dos infetados durante este período não foi contactado pelas autoridades da saúde para fazer o controlo epidemiológico adequado. Mais concretamente, segundo a edição desta quarta-feira do Público, 87% das pessoas com teste positivo.

A situação foi transmitida aos governantes no dia de ontem pelos especialistas durante a segunda parte da reunião com o Infarmed, à porta fechada, sobre a covid-19. O diário frisa que a mensagem transmitida foi clara: existiram mais testes, mas menos onde seria importante. Ou seja, nas possíveis cadeias de contágio.

Manuel do Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, já tinha sublinhado na primeira parte da reunião desta terça-feira, transmitida online, que no Natal, cerca de "5 mil casos escaparam ao processo normal de testagem". Segundo o jornal, aquilo que se verificou depois foi que as cadeias de transmissão "ficaram incontroláveis e quem contagiou esses infectados continuou, sem saber, a contagiar mais pessoas". 

Ora, a elevada percentagem sublinhada pelo Público surge precisamente aqui: não se sabe como foram contagiados 87% dos casos positivos. E, para que tal se tenha verificado, há duas hipóteses: ou próprios não sabiam ou nunca foram questionados. Recorde-se que os inquéritos epidemiológicos, a par do rastreio de contactos de alto risco, são ferramentas de elevada importância para o combate à pandemia.

Contactada pelo jornal, a DGS indica que em 9 de janeiro existiam 763 profissionais ETI (equivalentes a tempo inteiro) a realizar estes inquéritos epidemiológicos em Portugal. Trata-se de um aumento de 302 profissionais, uma vez que a 8 de dezembro existiam 461 — sendo que em algumas zonas do país o reforço está a ser garantido por militares. 

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