Nos Países Baixos, a virologista Marion Koopmans, assessora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Governo holandês, confirmou que o caso identificado naquele país se trata de um cidadão holandês, um idoso com um sistema imunológico “deteriorado", que contraiu pela segunda vez o novo coronavírus desde o início da crise pandémica em março passado.

“Todas as infeções por SARS-CoV-2 [o novo coronavírus responsável pela doença covid-19] têm uma impressão digital diferente, um código genético. As pessoas podem possuir vestígios do vírus durante muito tempo após o contágio e ocasionalmente expelir algum material genético [ácido ribonucleico, RNA – Ribonucleic Acid, no nome inglês] do vírus”, afirmou Marion Koopmans, em declarações à televisão holandesa NOS.

A virologista recusou-se, por precaução, a dar pormenores sobre os sintomas do doente reinfetado, uma vez que é necessário apurar se existem mais casos deste tipo e os contornos a eles associados.

Marion Koopmans reconheceu, porém, que o surgimento de doentes reinfetados com o SARS-CoV-2 é uma situação que “está em linha com as expectativas científicas”, apenas “não existiam provas disso”.

“As infeções respiratórias podem ocorrer duas vezes ou até com mais frequência. Sabemos que uma pessoa não está protegida para toda a vida se tiver sido infetada uma vez e é isso que esperamos da covid-19”, concluiu Koopmans.

Já o caso identificado na Bélgica é de uma mulher que conseguiu superar o novo coronavírus, mas que teve uma recaída três meses depois da primeira infeção, segundo confirmou o virologista e assessor para a área da saúde pública do Governo belga, Marc Van Ranst.

Após a realização de testes à paciente reinfetada, os investigadores concluíram que se trata de uma estirpe diferente do SARS-CoV-2, indicou Marc Van Ranst, em declarações à televisão belga VTM News.

“Trata-se de uma mulher que sofreu uma recaída três meses após a primeira infeção. Conseguimos examinar geneticamente o vírus, associado às duas situações de contágio, e temos dados suficientes para determinar que é uma outra estirpe”, disse o virologista belga.

O estado de saúde da paciente belga tem evoluído de forma favorável nos últimos dias, apresentando apenas sintomas ligeiros, sem precisar de ser hospitalizada.

Para Van Ranst, a confirmação de casos de reinfecção "não é uma boa notícia", uma vez que a sua equipa de investigação, e com base na própria evolução do vírus, "estimava que o tempo entre (potenciais) novas infeções fosse mais amplo”.

O anúncio destes dois novos casos de reinfeção pelo novo coronavírus surge um dia depois de investigadores da Universidade de Hong Kong terem divulgado o caso de um homem de 33 anos, natural daquela região administrativa especial chinesa, que também voltou a estar infetado.

O doente em questão teve alta após ter sido declarado curado da doença covid-19 em abril passado, mas no início deste mês o homem voltou a testar novamente positivo depois de ter regressado de uma viagem a Espanha.

Inicialmente foi equacionado que este homem poderia ser um "portador persistente" do SARS-CoV-2 e, como tal, mantinha o agente infeccioso no seu organismo desde a altura em que foi infetado.

No entanto, os investigadores da Universidade de Hong Kong afirmaram que as sequências genéticas das estirpes do vírus contraídas pelo homem em abril e em agosto são "claramente diferentes".

Esta descoberta poderá representar um revés para quem defende uma estratégia contra a atual pandemia sustentada na aquisição de uma presumível imunidade de grupo após a doença ser superada.

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