O cidadão jordano Hussein Abo al Jeir está no corredor da morte desde 2015. A incerteza sobre o seu destino deixa a sua irmã Zeinab e toda a sua família "sob pressão psicológica e em terror extremo".

"Não conseguimos contacto. Estamos sempre à espera de alguma comunicação dele. Às vezes esperamos seis meses ou mais", disse Zeinab à AFP, no Canadá, onde mora.

Exceto nos casos de condenados por assassinato, em que as famílias das vítimas são informadas com antecedência, as autoridades costumam anunciar as execuções depois de realizadas, explica Duaa Dhainy, investigadora da Organização Euro-Saudita para os Direitos Humanos (ESOHR), com sede na Alemanha.

De acordo com esta ativista dos direitos humanos, muitas vezes os familiares ficam a saber das execuções por meio dos media estatais, que nem sempre menciona os nomes dos presos. As famílias "nem se podem despedir de seus entes queridos", afirma.

E agora a preocupação aumenta. Após cinco meses sem aplicar a sentença de morte, as autoridades sauditas executaram 24 pessoas desde o início de outubro, a maioria nas últimas duas semanas, de acordo com uma contagem da AFP baseada em informações dos meios de comunicação estatais.

Essas pessoas incluem 16 condenados por casos relacionados com drogas, encerrando uma moratória de quase dois anos sobre o uso da pena de morte para esses crimes.

Na terça-feira, a ONU considerou "profundamente lamentável" esta onda de execuções, principalmente por crimes relacionados com drogas, dizendo que era "incompatível" com os padrões internacionais.

O caso de Husein Abo al Jeir

Aos 57 anos, Hussein Abo al Jeir foi preso em 2014 na fronteira entre a Jordânia e a Arábia Saudita, onde trabalhava como motorista particular em Tabuk, cidade do norte do reino, conta a sua irmã.

Segundo Zeinab e a ONG Reprieve, sediada no Reino Unido, Hussein foi torturado por 12 dias, sem acesso a um advogado, antes de assinar um documento em que admitia estar envolvido no tráfico de drogas. A AFP não conseguiu verificar estas alegações de forma independente e não obteve respostas das autoridades sauditas.

Até agora, especialistas da ONU estimam que se trata de uma detenção arbitrária sem base legal. Mas isso não impediu que o processo continuasse o seu rumo.

Na semana passada, Hussein entrou em contacto com um parente na Jordânia para anunciar que tinha sido transferido para uma área da prisão de Tabuk reservada a prisioneiros em iminência de execução.

"Ele está com muito medo, está muito triste e garante que foi vítima de uma injustiça", diz a sua irmã. "Aguarda o momento da sua morte, de ser decapitado com um sabre, após um processo absolutamente injusto", acrescenta.

Ao todo, foram registadas 144 execuções na Arábia Saudita este ano, de acordo com a contagem da AFP, mais do dobro das que ocorreram no ano passado. Em março, num único dia, 81 pessoas acusadas de terrorismo foram executadas.

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