O anúncio antecedeu a assinatura da paz, esperada para as próximas semanas. Relembre as principais datas em cinco décadas de confronto:

A fundação

A data de 27 de maio de 1964 é considerada a data de fundação das Farc. Foi aí que aconteceu o primeiro combate de um grupo de camponeses, liderados por Manuel Marulanda Vélez ("Tirofijo"), que resistiam à ofensiva militar em Marquetalia, executada a mando do governo por se temer uma "Revolução Cubana", na região. A localidade é considerada pelo governo conservador de Guillermo León Valencia uma "república independente" de influência comunista.

Três processos de paz fracassados

A primeira tentativa de negociação de paz entre o governo e as Farc começou a 28 de março de 1984, quando o presidente Belisario Betancur e a milícia tentaram o diálogo durante uma trégua bilateral. Essas conversações fracassaram em 1987, assim como outras duas, iniciadas em 1992 com o presidente César Gaviria e, em 1999, com o presidente Andrés Pastrana. O último processo, que se estendeu até 2002, ficou conhecido como "Diálogos do Caguán".

Ofensiva rebelde

Os anos 1990 foram marcados por uma estratégia de guerra das Farc que incluiu ataques a povoados, bases militares e esquadras de polícia. Os rebeldes também recorreram ao sequestro de civis para pedidos de resgate. A tomada da cidade amazónica de Mitú, em 1998, com um saldo de 43 mortos e 61 sequestrados, e o massacre de Bojayá em 2002, onde 119 pessoas perderam a vida numa igreja ao tentarem refugiar-se dos combates, marcaram essa época. Talvez o facto mais lembrado pelo mundo seja o sequestro, em 2002, da pré-candidata presidencial Ingrid Betancourt, libertada seis anos depois pelo Exército. O seu cativeiro tornou-se o símbolo do drama dos civis, polícias e militares detidos na Colômbia, alguns com até dez anos de cativeiro.

Reação do governo

No dia 7 de agosto de 2002, quando Álvaro Uribe assume o governo com a promessa de derrotar militarmente as Farc, a milícia atacou a sede presidencial, matando 21 pessoas numa zona próxima. Em oito anos de mandato, Uribe impôs duros golpes às Farc. Depois da morte - por aparente causa natural - do líder e fundador das Farc, "Tirofijo", o rebelde Raúl Reyes, responsável internacional da milícia, foi abatido numa operação do Exército colombiano no Equador, na zona da fronteira comum.

A quebra de liderança das Farc prosseguiu em 2010, já com Santos na presidência. Primeiro morreu o chefe militar Jorge Briceño ("Mono Jojoy") e depois, Alfonso Cano, sucessor de "Tirofijo".

Fim do confronto

Depois da escalada militar, por iniciativa do presidente Santos e do novo líder das Farc, Timoleón Jiménez ("Timochenko"), as duas partes iniciam formalmente, a 18 de outubro de 2012, um diálogo de paz em Oslo, cuja mesa de negociações é instalada em Havana, tendo Cuba e Noruega como intermediários.

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