Num mundo ideal, os cidadãos teriam de pagar em impostos um quarto do salário que recebem?

Os cidadãos têm de pagar os impostos justos, tem de haver uma redistribuição da riqueza justa. Tem de haver esse equilíbrio, e numa altura em que vemos o capitalismo a revelar determinadas falhas, é altura de o reconstruirmos ou de o refundarmos, e essas questões têm de ser incluídas na reflexão que devemos fazer. Sobretudo numa altura em que vemos cada vez mais trabalho ser substituído por máquinas, a automação substitui muitos empregos e cria outros tantos, devemos também equacionar a questão da fiscalidade nos robôs. Mas, eu diria, redistribuição justa da riqueza.

Se tivesse de escolher, e tem mesmo de optar, a União Europeia devia fazer uma aliança comercial com a China ou com os Estados Unidos?

Todos os parceiros devem ser considerados, no entanto temos muito mais proximidade nas relações transatlânticas com os Estados Unidos. Ainda assim, a União Europeia tem uma palavra a dizer, nomeadamente nos acordos comerciais que faz, e o ambiente deve ser incluído como uma bandeira não negociável com potenciais parceiros - e os direitos humanos sempre, mas esses devem ser a base, o ponto de partida de qualquer acordo comercial.

Acredita que é possível travar as alterações climáticas na legislatura europeia que agora começa?

É possível continuar a trabalhar para combater as alterações climáticas. Já muito foi feito, neste momento temos uma série de objetivos que são ambiciosos, os acordos de Paris estabeleceram limites de emissões de CO2, que provavelmente já estão desatualizados, esta legislatura tem a responsabilidade de ser também ambiciosa e de passar daquilo que já está acordado no papel à prática. Isto inclui transformar o modelo económico vigente, num modelo económico que seja verde e que vá ao encontro da economia verde e que beba desta oportunidade, que é a da transição energética das nossas empresas, das indústrias, das pessoas, que estão todas convocadas para participar nesta mudança.

Nos Censos de 2021 o INE devia ou não incluir uma pergunta sobre a origem étnica, as raízes, das pessoas?

Enfim, não estou confortável para dizer se isso tem relevância estatística. Se assim for, e se não magoar ninguém, se não ferir suscetibilidades, não vejo porque não. Agora, devemos ter sempre em atenção as minorias e devemos respeitá-las em qualquer momento, até nestas discussões mais técnicas sobre estatística.

A União Europeia deve ter um exército próprio?

A União Europeia já tem instrumentos de cooperação reforçada, que foram reforçados na anterior legislatura. Penso que deve manter este tipo de abordagem relativamente a um potencial exército europeu. Portanto, a minha resposta seria não.

Se não é o presidente que manda nisto tudo, e dizem-nos que não é, o que está a tornar tão difícil chegar a um consenso sobre quem serão os presidentes das diversas instituições da União Europeia?

É muito simples: no início da União Europeia estavam sentados à mesa seis. Hoje estão 28, que provavelmente vão passar a ser 27, o que ainda assim não facilita a escolha. Portanto, esta casa da democracia exige muito compromisso e exige muito equilíbrio também regional, equilíbrio também de género, e todas estas variáveis influem para que seja encontrada a fórmula ideal. Por isso, penso que neste momento aquilo a que temos assistido é à melhor conjugação de fatores dentro de uma arquitetura que já é complexa.

Qual foi a primeira coisa que fez quando chegou a Estrasburgo?

Fui direta para uma reunião de grupo, do grupo parlamentar do PPE [Partido Popular Europeu].

Descreva a última vez que se irritou.

Durante a campanha eleitoral, com os nervos, com muitas coisas a acontecer, é natural que estejamos mais sensíveis. Mas nada de [grave]. Eu não me irrito com facilidade.

Tem alguma comida de conforto?

Não devia dizer, mas comfy food é McDonald's.

Alguém merece ter cem milhões de euros?

O que penso é que quem não tem nada é que merece tudo. É a minha resposta.


Afinal, da esquerda à direita, os deputados europeus não são tão diferentes como poderíamos pensar. A maioria acredita mesmo que não pagamos demasiados impostos, é contra um exército europeu, prefere os EUA à China, admite irritar-se com facilidade e é bom garfo. Ainda assim, há diferenças. Estas foram as respostas de Lídia Pereira, mas a eurodeputada do PSD não foi a única a responder. Saiba mais aqui.

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