“Não, não, eu sei o que disse porque saiu da minha própria boca”, afirmou o político holandês, em resposta a um pedido do eurodeputado espanhol dos Verdes, Ernest Urtasun, para que se desculpasse pelo comentário durante uma audição de uma comissão parlamentar.

Dijsselbloem manifestou-se surpreendido por as suas palavras – proferidas numa entrevista concedida ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung publicada na segunda-feira – terem tido tanta repercussão nos meios de comunicação social.

“Deixei muito claro que a solidariedade caminha de mãos dadas com a responsabilidade e os compromissos”, afirmou.

O também ministro das Finanças da Holanda insistiu que os Estados-membros devem assumir o quadro fiscal que acordaram e realizar reformas e ajustes de forma a garantir uma “posição sólida”.

“Durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afetados pela crise. Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade. Mas também deve haver obrigações: não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda”, afirmou na entrevista Jeroen Dijsselbloem, que tem sido alvo de críticas em diferentes frentes.

As declarações foram consideradas “vergonhosas” e “chocantes” pelo grupo dos Socialistas Europeus – ao qual Dijsselbloem pertence – que entende que o presidente do Eurogrupo “foi longe demais, ao utilizar argumentos discriminatórios contra os países do sul da Europa”.

“Não há desculpa ou razão para recorrer a tal linguagem, especialmente de alguém que é suposto ser um progressista”, comentou o líder da bancada dos Socialistas Europeus no Parlamento Europeu, Gianni Pittella.

Em Portugal também houve reações, com o PS a pedir ao Partido Socialista Europeu (PSE) a condenação “imediata” das declarações “ultrajantes” proferidas por Jeroen Dijsselbloem e a retirada de apoio político a uma sua recandidatura ao cargo de presidente do Eurogrupo.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, pediu em Washington o afastamento do presidente do Eurogrupo.

Esta nova polémica a envolver Dijsselbloem ocorre numa altura em que a sua posição como presidente do Eurogrupo está particularmente fragilizada, na sequência dos resultados eleitorais da passada semana na Holanda, que ditaram uma derrota histórica do seu partido, o PvdA, que era parceiro de coligação do VVD (centro-direita) do primeiro-ministro Mark Rutte, mas que agora passou de 38 para nove deputados.

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