Amanhã é celebra-se o 25 de Abril, dia da Revolução dos Cravos, Dia da Liberdade.

Normalmente é uma data de consensos, mas o facto é que 2020 ficará marcado como o ano em que Portugal celebrou a Liberdade confinado em casa, em que a Liberdade abriu contendas políticas — mas que nem por isso deixou de nos inspirar.

No ano passado, cerca de 700 pessoas marcaram presença na sessão solene no 25 de Abril, na Assembleia da República, Casa da Democracia. Este ano serão menos de 100 porque o vírus assim o obriga. Marcelo, que em 2019 nos pedia ambição, terá o duro desafio de levantar o espírito de uma nação que enfrenta aquilo que o próprio caracterizou como porventura o "maior desafio dos últimos 45 anos". E apesar de ser inquestionável o valor da Liberdade que hoje temos, nem por isso se evitaram as contendas: com o país em casa, debate-se a necessidade de uma comemoração que obriga à presença das principais figuras da política nacional no parlamento — tema que quebrou mesmo as tréguas políticas instituídas em pandemia.

A Liberdade este ano está pejada de contrastes.

Fomos hoje informados que vamos ter de esperar até dia 30 de abril para saber que setores de atividade poderão reabrir em maio e em junho (e quais as normas de segurança a adotar), naquele que se configura como o regresso à normalidade possível — porque sem vacina ou tratamento contra a covid-19 esta "normalidade" andará longe daquela que conhecíamos no passado. No entanto, muito se tem falado sobre o tema e, até ao momento, é a assim que se desenha este novo normal.

Também esta tarde, António Costa informou o país que haverá restrições à circulação no fim de semana prolongado de 1 a 3 de maio, já no final do Estado de Emergência. Em termos práticos, aplicam-se as mesmas regras que foram adotadas na Páscoa e não é possível viajar entre concelhos. "É fundamental compreender que, para termos sucesso no controlo da pandemia de covid-19, como tem acontecido até agora, todos os dias temos de possuir o maior grau de contenção e de isolamento. Mesmo para lá do estado de emergência não vamos voltar a viver a vida normalmente", salientou Costa.

Portanto, em vésperas de Liberdade, temos por certo que ela em 2020 demorará mais tempo a chegar.

E daí o desafio que lançámos em duas iniciativas novas do SAPO24. A primeira — em parceria com O Primeiro Capítulo — foi o de escrever sobre liberdade em tempos de pandemia. Os textos serão publicados aqui amanhã.

O segundo — em parceria com o projeto 100 Oportunidades — foi o de pensar o que nos reserva este "regresso a um mundo novo". Assim, e durante um mês, todos os dias teremos o contributo e a reflexão de jovens que são referência nas mais diversas áreas. O primeiro também sai já amanhã.

Hoje não é uma ditadura que nos prende, é um vírus. Um inimigo invisível que em Portugal já infetou 22.797 pessoas e tirou a vida a 854. Mas se a Liberdade é sempre uma conquista na História, agora não será diferente (esta sexta-feira chegaram relatos de uma vacina experimental testada em macacos que os conseguiu "proteger largamente" contra a covid-19). O risco agora é de que a retoma da atividade económica seja sinónimo de descontrolo na propagação do vírus e custe mais vidas, por isso se pede aos portugueses que aguentem mais um pouco, que fiquem em casa — porque a Liberdade que celebramos amanhã também é responsável e solidária.

Assim, deixo algumas sugestões para que a espera não desespere:

O meu nome é Inês F. Alves e hoje o dia foi assim.

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