“Eu tenho muitas provas (…) que colocam em causa numerosos altos funcionários venezuelanos, incluindo o Presidente da República”, declarou Luisa Ortega durante uma conferência de procuradores, que hoje se iniciou em Brasília.

A ex-procuradora atribuiu a perseguição política que sofre na Venezuela às suas investigações sobre a corrupção da construtora brasileira Odebrecht no seu país envolvendo altos dirigentes do ‘chavismo’.

“Tenho provas no caso Odebrecht que comprometem Maduro, Diosdado Cabello, Jorge Rodríguez, e outros”, disse Luisa Ortega, referindo-se a importantes figuras do regime venezuelano.

“O que está a acontecer na Venezuela é a morte do Direito. A estabilidade da região está em perigo”, sublinhou a ex-procuradora-geral.

“A pior parte é que tudo está relacionado com a corrupção. O que está a acontecer comigo é por uma série de denúncias que fiz”, disse Luisa Ortega na abertura da XXII Reunião Especializada de Ministérios Públicos do Mercosul (REMPM), tendo sido tratada como “procuradora-geral legítima” da Venezuela.

A ex-procuradora-geral fugiu com o marido da Venezuela na sexta-feira, estando agora na Colômbia sob a proteção do Governo local.

Na terça-feira, o Presidente Nicolás Maduro disse que a Venezuela vai pedir à Interpol a detenção da ex-procuradora geral Luísa Ortega Díaz e do marido, Germán Ferrer, por terem fugido à justiça e por alegadamente integrarem uma rede de extorsão e corrupção com os Estados Unidos para prejudicar a Venezuela.

Em março deste ano, Luisa Ortega denunciou como ilegais duas sentenças do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) venezuelano. Uma a limitar a imunidade parlamentar e a segunda em que o STJ assumia as funções do parlamento, no qual a oposição detém a maioria desde as eleições de janeiro de 2016.

“Temos que recuperar a democracia na Venezuela, sem ter autoridades ligadas à corrupção”, afirmou ainda Luisa Ortega.

A ex-procuradora, que foi destituída do cargo a 05 de agosto pela Assembleia Constituinte eleita a 30 de julho, disse hoje que “não há garantia de justiça na Venezuela”, já que o quer o regime de Maduro é a impunidade nos casos de corrupção.

Luisa Ortega disse também que foi substituída no cargo de procuradora-geral por uma pessoa, Tarek Saab, contra a qual existem seis investigações de corrupção.

O procurador-geral brasileiro, Rodrigo Janot, declarou hoje na mesma reunião dos procuradores do Mercosul que a remoção de Luisa Ortega do seu cargo na Venezuela foi uma “violação institucional” e que isto corroeu a independência do sistema de justiça venezuelano.

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