Plenário é uma iniciativa pensada para alargar o debate nas legislativas de 6 de outubro a quem tenha ideias para apresentar para uma melhor governação do país. Há muito para discutir antes da ida as urnas e é por isso que queremos começar já a pensar o país que vamos ter (e ser) nos próximos quatro anos — e contamos com o seu contributo. Assim, lançámos o desafio, em forma de pergunta: Se fosse primeiro-ministro ou primeira-ministra nos próximos quatro anos, qual era o problema que resolvia primeiro? Ou, perguntando de outra forma: qual seria a sua prioridade para o país?

Gonçalo Rodrigues, de Lisboa, juntou-se ao Plenário. Leia aqui o seu contributo na íntegra: 

Combater a corrupção

Se fosse primeiro-ministro nos próximos quatro anos faria um esforço significativo por detetar todas as rendas de alugueres de quartos e casas que não estão a ser tributados em Portugal. E uma vez detetadas, tributaria essas mesmas rendas.

Sabendo que vivemos num estado dito social, temos que fazer um esforço por distribuir a riqueza equitativamente. Se há pessoas que têm imóveis alugados, por definição já têm mais do que a média dos portugueses. Como tal, podem contribuir mais para o Estado e podem pagar mais impostos do que aqueles que já estão a pagar.

É doloroso pensar que 6-7 meses do ano de trabalho servem para pagar impostos em Portugal. Mas continuarmos a ser corruptos por acharmos que há sempre alguém mais corrupto do que nós (e que por isso temos o direito de roubar o Estado português) não é solução para termos políticos menos corruptos e elites mais iluminadas.

Já tivemos 45 anos de democracia e não alcançámos nada de extraordinário. Em menos tempo países como a Alemanha, a Letónia, ou a Coreia do Sul conseguiram transformar as suas economias. Nós, por outro lado, continuamos a queixar-nos, sem rumo e sem objetivos a longo prazo.

As lamúrias não nos vão ajudar a ter uma melhor qualidade de vida. Por contraste, fazer a nossa parte e dar o nosso contributo justo para o Estado pode vir a melhorar o nosso amor-próprio e pode dar-nos uma sensação de dever cumprido. Pensar que os nossos impostos podem tirar pessoas da pobreza no nosso país deveria ser motivação suficiente para trocarmos meia dúzia de bens materiais por mais impostos pagos de maneira justa.

Para os nossos ricos e para as nossas elites: não sejam forretas com os vossos impostos. Deem o exemplo.

Se não estiverem gratos por poderem passear pelo paredão de Cascais sem terem que contratar um guarda-costas, pensem em quanto mais caro vos sairia manter a vossa segurança num país como o Brasil. Ou pensem nos milhões de euros que teriam que gastar por cada tratamento oncológico inovador num país com poucos impostos, como os EUA, enquanto que em Portugal recebem esse mesmo tratamento sem ter que pagar 1 €.

Não sejam desagradecidos por termos eleito uma cambada de portugueses para nos representarem. Afinal de contas eles são tão corruptos como nós (só que passaram para outro campeonato e os valores absolutos são mais altos). Antes de criticarem algum deputado por não pôr os pés na Assembleia, ou por receber ajudas de custo por viagens não realizadas, lembrem-se da última vez que vos perguntaram: "E vai querer com ou sem fatura?". E lembrem-se da resposta que deram quando perceberam que o mecânico ou o canalizador iam custar mais 23% se pedissem fatura.

Pedir serviços "sem fatura" é tão desonesto como comprar kits de golas inflamáveis a um familiar com dinheiros públicos. Ambos os intervenientes estão a tirar proveito do Estado - ou seja, estamos-nos a roubar a nós.

O que acha desta ideia? Deixe a sua opinião nos comentários deste artigo. Desejamos uma discussão construtiva, por isso todos os comentários devem respeitar as regras de comunidade do SAPO24, que pode ler aqui.


Queremos também o seu contributo para pensar o país. As legislativas acontecem a 6 de outubro, mas a discussão sobre o país que queremos ter (e ser) nos próximos quatro anos começa muito antes da ida às urnas. É esse o debate que o SAPO 24 quer trazer — e contamos consigo.

Saiba como participar aqui. Veja os contributos dos nossos convidados e leitores em 24.sapo.pt/plenario e, claro, junte-se ao debate. 

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