A “trégua” foi alcançada após sete horas de negociações, na quinta-feira, no momento em que a primeira economia da América Latina estava já a sofrer o impacto de quatro dias de greve geral de protesto contra o aumento dos preços do diesel.

Os bloqueios estavam a afetar sobretudo os estados mais ricos, como São Paulo e Minas Gerais, no sudeste, bem como os grandes estados agrícolas e exportadores, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina, no sul e no centro-oeste.

Na quinta-feira, a greve dos camionistas no Brasil, com manifestações e bloqueios em estradas de 23 estados e no Distrito Federal (Brasília), registava constrangimentos no transporte e distribuição de alimentos e combustíveis.

A falta de distribuição está a provocar aumentos nos preços dos bens alimentares e dos combustíveis.

Num comunicado, a Fundação Procon (órgão público de defesa do consumidor) de São Paulo argumentou que os novos preços adotados por alguns estabelecimentos devido à falta de abastecimento constitui “uma prática abusiva”, como determina o Código de Defesa do Consumidor.

Os produtores de leite de todo o país estão a sentir os efeitos da greve dos camionistas e veem milhões de litros serem descartados.

Na região de Passos, no sul de Minas Gerais, mais de 500 mil litros já foram inutilizados porque, com a falta de transporte, a validade do prazo para consumo do produto é ultrapassada.

A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) de São Paulo anunciou em comunicado que, devido à greve dos camionistas, as empresas de autocarros metropolitanos estão a enfrentar problemas de abastecimento de combustível.

No estado de Rio Grande do Sul já há falta de combustível nos postos de abastecimento para a população e em muitos destes locais formam-se filas.

O Governo brasileiro negoceia, desde o início da semana, medidas e alternativas para reduzir o preço do diesel.

Os sucessivos aumentos do diesel, desde o ano passado, são o motivo do protesto organizado pelos camionistas brasileiros.

A Petrobras calcula que a redução do preço do diesel em 10%, anunciada pelo Governo na quarta-feira, terá uma diminuição de receita em cerca de 350 milhões de reais (81,8 milhões de euros), considerando o reajuste do preço do combustível e a expetativa de vendas no período de 15 dias.

O mercado financeiro também está instável com os efeitos da greve dos camionistas.

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