Num comunicado a que a agência Lusa teve acesso, a PGR indica que só após a conclusão do interrogatório é que o magistrado do Ministério Público que conduz o processo determinará a medida de coação a aplicar.

A PGR assinala que, pelo facto de Ismael Diogo se ter "furtado, reiteradas vezes, em comparecer no DNIAP [Departamento Nacional de Investigação e Ação Penal angolano], foi ordenada a detenção do presidente da FESA para responder em interrogatório de arguido".

"A PGR vem por este meio levar ao conhecimento público que, na sequência do processo-crime n.º 23/18, que corre termos na Direção de Investigação e Ação Penal, referente à investigação de fraudes financeiras no Conselho Nacional de Carregadores (CNC), foi constituído arguido o cidadão Ismael Diogo da Silva", lê-se no documento.

"Recaem [sobre Ismael Diogo] fortes suspeitas de ter incorrido na prática dos crimes de burla por defraudação, previsto e punível pelo Código Penal, e corrupção ativa, prevista e punível pela Lei Sobre a Criminalização das Infrações Subjacentes ao Branqueamento de Capitais", refere a PGR.

Hoje ao fim da tarde, o porta-voz dos Serviços Prisionais angolanos, Menezes Cassoma, confirmou à Lusa a detenção de Ismael Diogo, que está preso na cadeia da comarca de Viana, nos arredores de Luanda.

Segundo Menezes Cassoma, Ismael Diogo foi detido depois de se recusar a responder a várias notificações da justiça, relacionadas com uma acusação sobre o recebimento indevido de milhares de dólares provenientes do CNC.

Neste mesmo caso, está igualmente detido, há uma semana, o antigo ministro dos Transportes de Angola Augusto Tomás e vários administradores do CNC, órgão afeto ao Ministério dos Transportes, por suposta má gestão e alegado desvio de fundos.

A fonte adiantou ainda que Ismael Diogo foi alvo de "busca de custódia".

Na base da ação judicial, segundo noticiou hoje o semanário português Expresso, está a apropriação indevida de 20 milhões de dólares saídos dos cofres do CNC, sob gestão do antigo ministro dos Transportes Augusto Tomás.

A Fundação José Eduardo dos Santos tem como patrono o ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, que criou em 1996 a instituição filantrópica apartidária, de caráter científico, cultural, social e sem fins lucrativos.

Com a detenção de Ismael Diogo, a justiça angolana prendeu mais uma personalidade próxima de Eduardo dos Santos, depois de o filho, José Filomeno dos Santos, estar, desde segunda-feira, em regime de prisão preventiva na Cadeia do Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda.

"Zenu", como é conhecido localmente, foi presidente do Conselho de Administração do Fundo Soberano de Angola, nomeado pelo pai, então chefe de Estado angolano, e, entretanto, exonerado pelo atual Presidente, João Lourenço, em janeiro deste ano.

Segundo a PGR angolana, “Zenu” é acusado de envolvimento numa alegada burla de 500 milhões de dólares, processo já remetido ao Tribunal Supremo.

É também acusado num processo-crime, ainda em fase de instrução, relacionado com atos de má gestão do Fundo Soberano de Angola, em que é também arguido o empresário suíço-angolano Jean-Claude Bastos de Morais, sócio de José Filomeno dos Santos em vários negócios, e que está também em prisão preventiva na cadeia de Viana, arredores de Luanda.

Por outro lado, em 21 deste mês, a PGR de Angola confirmou a detenção do Augusto Tomás, pelos indícios da prática dos crimes de peculato, corrupção, branqueamento de capitais, entre outros crimes.

Augusto da Silva Tomás foi afastado do cargo pelo Presidente de Angola, João Lourenço, em junho deste ano, não tendo sido avançado os motivos da sua exoneração, a primeira entre os ministros empossados em setembro de 2017 pelo novo chefe de Estado angolano.

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