"Foi encontrada uma medida que o Governo considerou pertinente, mas nós [PCP] temos a ideia de que não será claramente a solução para o problema que está criado", disse Jerónimo de Sousa, referindo: "A requisição civil não resolve nenhum problema".

O líder dos comunistas falava aos jornalistas depois de ter participado numa sessão pública promovida pelo PCP com trabalhadores da indústria mineira, na vila de Aljustrel, no distrito de Beja, no Alentejo.

A requisição civil "obviamente tem consequências, mas a questão continua por resolver", disse Jerónimo de Sousa, apelando aos envolvidos para se "sentarem à mesa".

"Faço este apelo a pensar no Serviço Nacional de Saúde [SNS], nos utentes, mas também, naturalmente, a pensar nos legítimos direitos e aspirações dos enfermeiros portugueses", disse.

Segundo o líder do PCP, seria "importante" haver "uma grande disponibilidade para negociar" da parte da "generalidade dos enfermeiros, dos seus sindicatos", mas, "simultaneamente, o Governo não se pode manter nas suas tamanquinhas e não responder a esse processo de diálogo e de negociação que deveria existir".

Jerónimo de Sousa defendeu que deviam sentar-se à mesa "aqueles que estão envolvidos, designadamente todos os enfermeiros, com as suas organizações representativas", mas "não ordens".

No caso da luta dos enfermeiros, "há uma distorção", porque "a ordem não negoceia contratação coletiva, a ordem não é nenhum sindicato, mas há sindicatos suficientes no setor dos enfermeiros para também se disponibilizarem para encontrar a solução", disse.

"Insisto nesta ideia: os enfermeiros deveriam colocar a par das suas justas reivindicações aquilo que são os interesses do SNS e também dos doentes, dos utentes, como alias sempre fizeram mesmo em processos de greve", defendeu, frisando: "Creio que [com o retomar] deste caminho [do diálogo] se encontrará a porta para a solução do problema".

Jerónimo de Sousa disse que o "extremar de posições que levou à requisição civil não é bom para ninguém, a não ser, obviamente, para o setor privado, que, entretanto, com a situação criada em muitos blocos operatórios, acabará por lhe cair no regaço vantagens financeiras à custa do SNS".

"Não quero fazer acusações precipitadas, mas há uma parte que está a ganhar, é o setor privado, e isso é que não pode ser", frisou.

O Conselho de Ministros decidiu na quinta-feira decretar requisição civil na greve dos enfermeiros em blocos operatórios em curso há uma semana, alegando incumprimento da prestação de serviços mínimos.

A requisição civil foi feita aos enfermeiros de quatro dos hospitais: Centro Hospitalar e Universitário de S. João, Centro Hospitalar e Universitário do Porto, Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga e Centro Hospitalar de Tondela-Viseu.

Hoje, o Sindicato Democráticos dos Enfermeiros (Sindepor) anunciou hoje que vai interpor uma providência cautelar para suspender a requisição civil.

"Quando se firma numa posição jurídica é sempre difícil de ter resultados ou vitórias em relação a objetivos", disse Jerónimo de Sousa, insistindo que os devem procurar a negociação e "não que seja discutida nos tribunais uma questão que é laboral e tem fundadas razões".

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