O novo partido, com a sigla PLS, foi formalmente aceite pelo Tribunal Constitucional há pouco mais de duas semanas, a 11 de março, "exatamente no dia em que o governo caiu, uma feliz ou uma difícil coincidência", nota José Cardoso, um dos fundadores. Mesmo a tempo da corrida às legislativas de 18 de maio, mas em cima do joelho para organizar listas.

"As eleições para órgãos do partido estão a decorrer, as candidaturas fecham hoje, a convenção realiza-se no sábado e no domingo serão conhecidos os resultados", adianta o responsável. Tudo em formato digital, para acelerar o passo. O conselho nacional terá lugar uma semana depois e no dia 7 de abril haverá mais novidades.

José Cardoso tem a noção da fragilidade de um partido recém-chegado, nomeadamente no que toca à constituição de listas, até porque a lei obriga a que 40% sejam mulheres, uma "enorme dificuldade para nós ou para qualquer pequeno partido, que não tem essa percentagem de militantes, as mulheres são entre 10% e 15%".

O Partido Liberal Social assume-se como "liberal, social e ecologista". A identidade visual evidencia o posicionamento político, reforçado pela utilização das cores amarelo, o posicionamento liberal, laranja, que representa o posicionamento social, e verde, para a base ecologista.

O liberalismo social, consideram os fundadores, traz "a dinâmica liberal e o estado de bem-estar, associada aos países mais desenvolvidos, garante de uma vida digna e com oportunidades para todos". O PLS opõem-se a "todas as formas de autoritarismo, venham elas de onde vierem", porque "o autoritarismo é uma forma de imposição de restrição da liberdade individual, que o liberalismo defende como princípio basilar".

O partido pretende "formar uma nova geração de quadros e atores políticos, promovendo uma política de maior qualidade, assente na ética democrática e nos princípios do liberalismo". E quer "estabelecer parcerias com think tanks e organizações da sociedade civil" para "promover a investigação e a literacia", mas evitando também "que o partido se feche sobre si mesmo, garantindo a construção de políticas alinhadas com os anseios da sociedade civil".

José Cardoso nasceu em Moçambique, viveu no Porto e em Aveiro e está há mais 30 anos em Lisboa. Começou por estudar Economia, mas apaixonou-se por tudo o que é comunicação. Esteve na área dos patrocínios na época da Expo 98, quando esse era um tema novo em Portugal, e foi investigar gestão de patrocínios em Londres, que acabou por dar um livro. Diz-se "liberal, ecologista, minimalista", "uma coisa de que se fala pouco. As pessoas deviam pensar em ter vidas mais simples".

Era o membro 443 da Iniciativa Liberal, conselheiro nacional, mas saiu porque "não queria ser mais um CDS ou um PAN". Queria um partido diferente e decidiu fundá-lo, contrariando a lógica se não podes vencê-los, junta-te a eles. Confessa que o seu pior defeito é "ser obstinado".

"Os puristas dão cabo de tudo, porque acham que têm de ser perfeitos. É aquela malta muito ideológica, que começa a criar barreiras, as tais linhas vermelhas que me fazem uma confusão terrível, porque em democracia é preciso muito mais que isso. E porque não querem assumir que são de governo, têm medo, é mais difícil governar do que criticar", disse José Cardoso ao SAPO24 no dia da derrota.

"Os portugueses passam a vida em crises. Quando chega mais uma, votam no partido onde acham que vão perder menos, não no que lhes pode dar mais. E quem acaba por ganhar com isso é o bipartidarismo, a ruína do país".