As obras de renovação no terceiro piso do MNAA - dedicado à pintura e escultura portuguesa dos séculos XIV ao XIX - estão na reta final, e o cheiro a tinta paira nas galerias, já quase finalizadas, onde os quadros e esculturas estão a ser colocados.

A intervenção “radical” neste piso – casa habitual dos Painéis de São Vicente, um dos ícones da pintura antiga portuguesa – envolveu novo mobiliário museográfico e as peças recebem agora uma luz especial nunca antes usada no museu. "As condições de iluminação foram melhoradas e as peças vão poder ser vistas noutra disposição, numa narrativa que cruza a pintura e a escultura", disse à agência Lusa o diretor-adjunto do MNAA, José Alberto Seabra, durante uma visita às instalações.

De acordo com o responsável "foi uma intervenção de fundo, radical. Não do ponto de vista arquitetónico, mas de uma nova museografia, para dar a estas salas o mobiliário necessário, a cor das paredes, e luz de qualidade para apresentar um novo discurso sobre a pintura que se fez em Portugal" ao longo de seis séculos.

Vão estar expostas 243 obras, na maioria pintura (152 peças) e um terço de escultura (91 peças) de autores como Fernão Gomes, Nuno Gonçalves, Machado de Castro, Josefa de Óbidos - que terá uma sala exclusiva - Vasco Fernandes, Gregório Lopes, Cristóvão de Figueiredo, Francisco Vieira, conhecido como Vieira Portuense, Cristóvão de Morais, Vasco Fernandes, conhecido por Grão Vasco, e Domingos António de Sequeira, entre outros. "A grande novidade é a forma como se expõe, a forma como o público vai poder entender e ter um prazer maior em contactar com estas peças. Vão ser dispostas, não separadamente em duas coleções, como anteriormente, mas de forma integrada. É um discurso novo", sublinhou José Alberto Seabra.

A montagem da nova exposição permanente foi feita numa filosofia mais didática, segundo o diretor-adjunto do museu, e cerca de 80 por cento das peças vão ter ao lado - não apenas os habituais título, autor e data - mas também um texto explicativo sobre a obra, em português e inglês.

O visitante vai poder ver ainda peças que nunca expostas ou foram recém-adquiridas, nomeadamente o quadro "A Adoração dos Magos", do pintor Domingos Sequeira (1768-1837), uma das "estrelas" do MNAA, adquirido em maio, após uma campanha pública que reuniu mais do que os 600 mil euros necessários para a compra a privados. "Este quadro de Domingos Sequeira vai ser mostrado no lugar certo. Vai ser exposto ao lado de outras obras do mesmo autor, e com uma visibilidade destacada. A pintura está a ser restaurada e a dar surpresas, porque está a mudar para melhor, e vai ser um ponto alto da inauguração" da exposição, prevista para meados de julho.

Neste conjunto de novas obras introduzidas na exposição permanente estão a pintura de Vieira Portuense (1765-1085) "Eco e Narciso", a pintura "Calvário", de Vasco Fernandes (1475-1542), a pintura "Pentecostes", de Fernão Gomes (1548-1612), e uma escultura da coroação da Virgem, do período Barroco, cujo restauro está a ser concluído. O "Pentecostes", pintado no final do século XVI por Fernão Gomes, estava há muito tempo, segundo José Alberto Seabra, em reserva, desde que saiu de um convento "que não se sabe qual é". "Nunca foi exposta. Foi restaurada durante anos, e colocada aqui como se nunca tivesse sido vista por ninguém", acrescentou.

Iniciada em janeiro, a renovação do terceiro piso era há muito desejada pela direção do MNAA, que acolhe o mais importante acervo de pintura e escultura portuguesa do país deste período. O terceiro piso recebeu, no passado, grandes exposições, como a "Encompassing the Globe", sobre o impacto dos Descobrimentos Portugueses noutras culturas, que, a seguir, também esteve em Washington, nos Estados Unidos. Estiveram igualmente patentes as exposições "A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana", que fez uma digressão pela Europa, e a exposição "Primitivos Portugueses (1450 e 1550) - O século de Nuno Gonçalves", apresentada, depois, em Espanha.

Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga do país, desde pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, incluindo o maior número de obras classificadas como tesouros nacionais.

Além dos Painéis de São Vicente, o acervo integra, entre outros tesouros, a Custódia de Belém, de Gil Vicente, datada de 1506, mandada lavrar por D. Manuel I, os Biombos Namban, do final do século XVI, que registam a presença dos portugueses no Japão. Hieronymus Bosch, Piero della Francesa, Hans Holbein, o Velho, Pieter Brueghel, o jovem, Lucas Cranach, Albrecht Dürer, Jan Steen, van Dyck, Murillo, Ribera, Nicolas Poussin, Tiepolo, Fragonard, Giordano são alguns dos mestres europeus representados na coleção do MNAA.

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