Vários utilizadores do Twitter dão conta da saída de Joacine Katar Moreira, deputada única do Livre, do Twitter.

Efetivamente, já não é possível seguir a deputada ou ler as partilhas que fez no passado.

O SAPO24 tentou contactar a deputada para apurar o motivo da sua saída da rede social, mas não foi possível até à data de publicação deste artigo.

Joacine Katar Moreira usava a rede social para responder a algumas polémicas e participar em discussões públicas. Uma das discussões que saltou do Twitter para a atualidade mediática foi uma troca acesa de argumentos com cronista do Expresso Daniel Oliveira, que criticou a forma demasiado pessoal do Livre fazer política, desviando as atenções das questões políticas em si mesmas.

Esta saída tem lugar depois de uma série de situações em que a deputada fez manchete em vários jornais, primeiro pelo frente-a-frente com o seu partido, depois pelo atraso na entrega da proposta de alteração da Lei da Nacionalidade (tema que é bandeira do partido), mais tarde por ter saído da Assembleia da República escoltada por um GNR para evitar as perguntas dos jornalistas e, hoje ainda, por recusar o “paternalismo” dos deputados sobre as regras do parlamento a propósito de uma audição urgente.

O que provocou a colisão entre deputada e partido foi a abstenção da deputada, no dia 22 de novembro, num voto de condenação do PCP à recente a uma militar israelita sobre a Faixa de Gaza. Joacine Katar Moreira acusou o Grupo de Contacto do Livre (direção), do qual faz parte, de falta de esclarecimento sobre o seu sentido de voto. Os dirigentes do partido manifestaram-se preocupados com a opção de voto da parlamentar e admitiram depois falhas de comunicação. Entretanto, o Conselho de Jurisdição, órgão disciplinar do partido, e decidiu "encarregar a Comissão de Ética e Arbitragem (...) de elaborar um parecer".

Já no que diz respeito à proposta de alteração à Lei da Nacionalidade, o atraso gerou controvérsia por se tratar de uma causa que é bandeira do partido. No entanto, o presidente da Assembleia da República promoveu um consenso parlamentar e admitiu "a título excecional" que o projeto do Livre seja debatido juntamente com os de BE, PCP e PAN em 11 de dezembro.

Foi neste contexto que a deputada se envolveu-se hoje numa breve polémica na comissão de Assuntos Constitucionais, recusando o “paternalismo” dos deputados sobre as regras do parlamento a propósito de uma audição urgente sobre a lei da nacionalidade.

Resumindo, a deputada única do Livre propôs que fossem ouvidos um advogado e dois cidadãos para que comissão pudesse ouvir o testemunho sobre “as dificuldades” na obtenção da nacionalidade, mas como o debate sobre a mudança da lei, na generalidade, é na próxima semana, no dia 11, já não há agenda possível, até devido às jornadas do PCP, na quinta-feira e na sexta-feira, dias em que não há trabalhos parlamentares.

Foi isso que explicou o social-democrata Luís Marques Guedes, presidente da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdade e Garantias, remetendo essa audição, se fosse aprovada, como foi, para a fase da especialidade, depois de dia 11, após o debate na generalidade e antes de uma eventual votação final global.

Seria importante ouvir aqueles testemunhos, justificou Joacine Katar Moreira, para “realçar o contributo enriquecedor que as audições poderiam dar numa fase inicial” da discussão da alteração à lei, para além dos pareceres que chegam à comissão. E foi nesta fase do debate que assinalou esperar que não haja “paternalismo nas intervenções de cada um”.

Vários foram os deputados – como Marques Guedes, Isabel Moreira (PS) ou Beatriz Gomes Dias (BE) – a dizer que fazer essas audições na especialidade não era uma menorização desse tipo de auscultação. “Não há nada de pouco digno nem se diminui ninguém quando se ouvem as pessoas na fase da especialidade”, disse Isabel Moreira, com Marques Guedes a dizer depois que não tinha “veleidade de dar lições a ninguém”.

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