"Após uma análise profunda, a empresa tomou a decisão de encerrar imediatamente a colaboração com Ye", declarou o grupo em comunicado. "A Adidas não tolera o anti-semitismo, nem qualquer outra forma de discurso de ódio", acrescentou, confirmando que "deixará de fabricar os produtos" da marca Yeezy do artista.

Durante muito tempo, a colaboração entre a Adidas e a estrela norte-americana foi uma das mais frutíferas do mundo. Lançada originalmente em 2014, cada coleção de ténis Yeezy tem sido um sucesso retumbante e ajudou a tornar Kanye West um bilionário.

As relações entre os dois parceiros deterioraram-se, visivelmente, nos últimos meses, como resultado de várias polémicas protagonizadas pela estrela.

A empresa tinha dito no início deste mês que estava a rever o seu relacionamento com West, depois do rapper ter aparecido num desfile de moda em Paris vestindo uma t-shirt estampada com "White Lives Matter" ("vidas brancas importam", em tradução livre).

A frase é uma reação dos grupos de extrema direita e supremacistas brancos nos Estados Unidos ao movimento antirracista "Black Lives Matter". Depois, West foi banido do Twitter e do Instagram por publicar uma mensagem ameaçadora contra a comunidade judaica.

O cantor também sugeriu que a escravidão era uma escolha e disse que a vacina contra a covid-19 era a “marca da besta”.

A reação da Adidas chega depois de várias vozes terem exigido que se pronunciasse. "Como empresa alemã, espero da Adidas uma atitude clara sobre o anti-semitismo", disse o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster.

A situação para a Adidas era particularmente delicada, visto que os seus fundadores foram membros do partido nazi. "O seu silêncio é um perigo para os judeus", tweetou Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação, uma ONG que luta contra o anti-semitismo.

Esta segunda-feira, a agência CAA, representante de Kanye West e uma das mais importantes de Hollywood, anunciou que também o abandonou, ao passo que a produtora MRC cancelou o lançamento de um documentário quase finalizado sobre o rapper.

“Não podemos apoiar nenhum conteúdo que alargue o seu palanque”, informaram os executivos do estúdio MRC Modi Wiczyk, Asif Satchu e Scott Tenley.

O cancelamento do documentário surge apenas alguns dias depois de a casa de moda francesa Balenciaga ter cortado a relação com Kanye West, segundo o Women's Wear Daily.

Também o diretor-executivo da United Talent Agency (UTA), Jeremy Zimmer, condenou a atitude do ‘rapper’ e denunciou o antissemitismo.

O rapper diz sofrer de um transtorno de bipolaridade, agravado por conta do seu divórcio com a celebridade americana Kim Kardashian. "Os discursos de ódio nunca são aceitáveis, ou perdoáveis", disse a sua ex-esposa no Twitter e no Instagram, sem mencionar West.

Ao lado de celebridades como Beyoncé, Stella McCartney e Pharrell Williams, Kanye West foi uma das estrelas com quem a Adidas criou colaborações para seduzir a sua clientela.

O fim da coleção Yeezy terá "um impacto negativo de até 250 milhões de euros no lucro líquido da empresa em 2022", alertou o grupo.

A Adidas ressalvou que é "a única proprietária de todos os direitos de design dos produtos existentes (...) no âmbito da associação", antecipando uma possível batalha judicial.

As vendas dos famosos ténis ultrapassaram mil milhões de dólares em 2019, segundo a revista Forbes. Kanye West também apresentou oito coleções de roupas Yeezy, as últimas consideravelmente menos bem-sucedidas.

O divórcio entre a Adidas e o rapper é um novo golpe para a empresa alemã, que já reviu em baixo os seus objetivos anuais, devido a um faturamento afundado pela política de "covid zero" na China e à queda do poder de compra nos mercados ocidentais.

Essas dificuldades afetaram também Portugal, tendo a Adidas anunciado a 17 de outubro que vai dispensar cerca de 300 colaboradores na Maia devido a “mudanças na estrutura organizacional” da empresa, que vai deslocar serviços para fora do nosso país.

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