Em noite de eleições, tudo pode acontecer. O primeiro indicador de uma possível mudança na capital do país surgiu às 21h00, quando saíram as primeiras projeções — havia um "empate técnico": Medina ou Moedas?

Quase seis horas depois do fecho das urnas, os votos em Lisboa continuavam por contabilizar — 18 das 24 freguesias estavam por apurar — , mas o ambiente entre os apoiantes da coligação “Novos Tempos” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), encabeçada por Carlos Moedas, já era de vitória.

“Nós só queremos Moedas presidente”, gritavam os apoiantes na sala do hotel EPIC SANA Marquês de Pombal, erguendo bandeiras laranja do PSD e azuis do CDS-PP, não deixando de referir o adversário socialista: “Medina, amigo, Kremlin está contigo”.

A espera foi longa, com suspense até ao fim, mas lá chegou a surpresa em Lisboa, a maior câmara do país: por volta das 02h00, o socialista Fernando Medina (PS e Livre) assumiu a derrota numa sala onde estava o ex-autarca de Lisboa e secretário-geral do PS, António Costa, que, minutos antes, no Largo do Rato, reclamou a vitória nacional dos socialistas com 150 presidências de câmara.

O PS venceu pela terceira vez consecutiva em autárquicas, mas aquém do resultado de 2017, sublinhou Costa, que tentou desvalorizar a derrota na capital, dizendo que “o país não é Lisboa”.

Feitas as contas, o social-democrata Carlos Moedas foi eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ‘roubando’ a autarquia ao PS, que liderou o executivo autárquico da capital nos últimos 14 anos. Segundo os resultados oficiais divulgados pelo Ministério da Administração Interna, a coligação "Novos Tempos" (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) conseguiu sete vereadores, com 34,25% dos votos (83.121 votos); a coligação "Mais Lisboa" obteve sete vereadores, com 33,3% (80.822 votos); a CDU (PCP/PEV) dois, com 10,52% (25.528 votos); e o Bloco de Esquerda (BE) conseguiu um mandato, com 6,21% (15.063).

E recorde-se que nenhuma das oito sondagens publicadas entre os dias 29 de abril e 23 de setembro mostraram indícios de que a liderança do Partido Socialista da Câmara Municipal de Lisboa estava em causa.

No discurso de vitória, Carlos Moedas considerou que venceu “contra tudo e contra todos” e referiu não ter palavras para agradecer o “voto de confiança” que lhe foi dado pelos lisboetas, comprometendo-se a ser o presidente de todos, com a missão de “unir” e “mudar Lisboa”.

Esta manhã, as primeiras palavras ouvidas remetiam para a mesma ideia: o presidente eleito da Câmara Municipal de Lisboa disse que conta "com todos os partidos" para governar a cidade, defendendo que é preciso “trabalhar em conjunto”.

Relativamente às medidas que pretende implementar na capital, Moedas considerou ter “um programa muito completo, desde o acesso à saúde, aos transportes”, e comprometeu-se a não falhar as promessas eleitorais.

“Não serei um presidente de gabinete”, realçou o social-democrata, assumindo o desafio de ouvir e trabalhar com as pessoas que vivem e trabalham em Lisboa, inclusive os trabalhadores da Câmara Municipal, em particular os da higiene urbana “que trabalham em condições muito difíceis”.

Questionado sobre a oposição ao governo nacional do PS a partir da Câmara de Lisboa, Moedas considerou importante que o executivo municipal da maior cidade do país tenha a capacidade de “desafiar o poder nacional”, mas “é um desafio construtivo, é para melhorar, é para escrutinar, é para conseguir, realmente, fazer melhor”.

“Penso que tudo vai correr bem. Estamos aqui para ter uma maneira diferente de fazer política e uma maneira diferente de fazer política é sem fricção, é apenas e só concentrada nos resultados e nas pessoas, portanto, tudo que for para bem de Lisboa, tudo o que for para melhorar a vida dos lisboetas é aquilo que eu vou fazer", garantiu.

Os dados estão lançados, resta saber como vai ser Lisboa nos próximos tempos.

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