Um estudo sobre a poluição do ar concluiu recentemente que mais de 95% da população mundial respira ar inseguro. São sobretudo as comunidades mais pobres quem sofre com esta poluição, e o fosso entre os países mais e menos poluídos está a crescer, diz esta terça-feira o jornal britânico ‘The Guardian’.

Com quase 55% da população mundial a viver em zonas urbanas, cada vez mais pessoas estão expostas a ar perigoso, sobretudo nos países em desenvolvimento. Todavia, também nas zonas rurais a população sofre com o ar poluído dentro de casa, geralmente por causa da queima de combustíveis fósseis.

O relatório da organização norte-americana Health Effects Institute (HEI, instituto dos efeitos de saúde) recorre a dados de satélite e a melhores monitorizações para estimar o número de pessoas expostas a ar poluído acima dos níveis de segurança da Organização Mundial de Saúde.

Esta exposição faz da poluição do ar a quarta principal causa de morte no planeta, ultrapassada pela pressão sanguínea, dieta e tabaco, acrescenta o ‘The Guardian’. Estimativas apontam que a poluição do ar contribuiu para a morte de mais de seis milhões de pessoas no ano passado. A China e a Índia surgem à cabeça, contribuindo com mais de metade da taxa.

A queima de carvão ou biomassa dentro de casa, para alimentação ou aquecimento, expôs 2,6 mil milhões de pessoas a poluição do ar interior em 2016, diz o relatório citado pelo jornal britânico.

Nesta questão, a diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é marcada. Bob O’Keefe, vice presidente do HEI, explica que enquanto os países desenvolvidos têm estado a tentar reduzir a poluição, os países em desenvolvimento não conseguem os mesmos resultados por causa do esforço pelo desenvolvimento económico.

“Os sistemas de controlo da poluição do ar ainda estão atrás do desenvolvimento económico [nos países mais pobres]”, disse. Ainda assim, “há razões para estar otimista, apesar de haver um longo caminho a percorrer. A China parece estar agressivamente a agir, por exemplo reduzindo o consumo de carvão e aplicando um controlo mais apertado. A Índia começou realmente a agir contra a poluição do ar interior, com a distribuição de GPL como combustível para cozinhar e através da eletrificação”, afirma O’Keefe, citado pelo ‘The Guardian’.

Apesar do aumento da população mundial, o número de pessoas expostas à poluição do ar interior por causa da queima de combustíveis fósseis diminuiu de uns estimados 3,6 mil milhões em 1990, para cerca de 2,4 mil milhões de pessoas atualmente.

Por outro lado, com o aumento do trânsito, aumenta a preocupação com as emissões do setor dos transportes. Nalguns dos países mais ricos, o gasóleo é o principal causador da poluição do ar. Todavia, nos países mais pobres, mesmo os carros a gasolina são responsáveis pela emissão e gases perigosos. Isto porque o seu estado, por vezes decrépito, como descreve o jornal britânico, o que os torna tão prejudiciais quanto os equivalentes movidos a gasóleo.

As redes sociais, diz O’Keefe, são uma ferramenta importante para a discussão do impacto da poluição. Com os governos sob cada vez maior pressão para lidar com estes problemas com regulação e outros sistemas de controlo, o responsável pelo HEI diz que “com um crescente número de pessoas com acesso [às redes sociais] a dados e a discussões [sobre a poluição do ar]”, as pessoas “têm a possibilidade de se preocupar não apenas com aquilo que comem e com o ter casa, mas também têm os meios para discutir em público”.

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