Marcelo Rebelo de Sousa falava perante cerca de 200 alunos do 8.º ao 12.º anos, na Escola Secundária Ibn Mucana, no concelho de Cascais, Lisboa, durante uma aula que durou mais de uma hora e meia, em resposta a uma pergunta sobre o ambiente.

"A educação para o ambiente é crucial, deve começar no básico do básico, para não dizer no pré-escolar", afirmou o chefe de Estado, acrescentando que é "muito pouco conservador" em certas realidades.

"Eu aí, confesso, sou muito pouco conservador. Acho que há realidades como a violência, o ambiente, a toxicodependência, o sexo, e outras realidades assim, em que, à sua maneira, muito cedo se tem de se ter a noção do que é respeitar as outras pessoas e viver com elas, e que há formas diferentes de falar disso em vários momentos da vida", declarou.

Segundo o Presidente da República, "é um absurdo achar que as pessoas podem contactar com essas realidades no dia a dia, na televisão, na Internet, e não falar nisso na escola".

"Como é que é possível?", questionou.

Logo de seguida, o sistema de som emitiu um ruído que interrompeu o chefe de Estado.

"Isto foi um protesto conservador contra mim", observou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre o ambiente, o Presidente da República defendeu que "não há verdadeiro desenvolvimento humano se, além de haver criação de riqueza, não houver criação de condições ambientais em geral para todos", a nível global.

"Isso leva a alterar a forma como se cria a riqueza, como se produz, como se vive. Temos de mudar a nossa maneira de viver, a maneira como se consome", advogou.

No final desta aula, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas e foi questionado sobre a notícia de que o Governo prepara um novo projeto sobre a identidade de género que poderá descer para os 16 anos a idade legal para a mudança de sexo e eliminar a obrigatoriedade de um atestado médico.

"Eu não comento projetos de diplomas legais. Vamos esperar. Quando houver um diploma legal sobre qualquer matéria, essa ou outra, eu receberei, e depois ponderarei. Agora, estar a especular sobre um diploma que não existe, acho que o Presidente não o deve fazer", respondeu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha visitado esta escola há um ano, em campanha para as eleições presidenciais de 24 de janeiro de 2016.

Hoje, esteve acompanhado pela secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, e pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, e prometeu voltar daqui a quatro anos, em janeiro de 2021.

Na sua conversa com os alunos, o Presidente da República foi também questionado sobre o que aconteceria a Portugal se decidisse sair da União Europeia e, na resposta, realçou a complexidade das negociações para a saída do Reino Unido.

"Mesmo uma grande economia percebe que é muito complicado quando se pertence a uma família haver um divórcio, mesmo amigável", disse Marcelo Rebelo de Sousa, acresce

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