Previa-se que a marcha de Nova Iorque fosse uma das maiores, com cerca de 85.000 manifestantes registados no evento na internet, mas a organização indicou que o número real é ainda mais elevado, um ano após terem desfilado 400.000 pessoas, segundo o gabinete do presidente da câmara da cidade.

Às primeiras horas da manhã, já havia pessoas a deslocar-se para o ponto de encontro, convocado para o lado oeste do Central Park, que ficou sobrelotado e transpirava “energia, força e união”, relataram à agência noticiosa espanhola Efe as nova-iorquinas Lisa e Mehely, depois de encabeçarem a marcha.

Seguindo a linha crítica em relação ao Governo de Trump que dominou o evento em todo o país, as mulheres repetiram um dos seus lemas, dedicado ao Presidente, no aniversário da sua chegada à Casa Branca: “Bem-vindo ao teu primeiro ano! Por que raio é que ainda aí estás?”.

Na sua conta da rede social Twitter, Trump pareceu ignorar o sentimento geral das manifestações e escreveu que era um “dia perfeito para todas as mulheres marcharem”, destacando também que os Estados Unidos têm o “nível de desemprego feminino mais baixo em 18 anos”.

Apesar disso, na maioria dos cartazes, o protagonismo foi para o descontentamento com as reformas migratória e sanitária que impulsionou, as exigências de igualdade de direitos para mulheres, imigrantes e membros da comunidade LGBT, e os protestos feministas e contra as agressões sexuais.

Perto do Bryant Park, até onde avançou a marcha de mais de quatro horas em Nova Iorque, encontrava-se Leslie, que disse à Efe: “É um ano importante, porque podemos votar para recuperar a Câmara [dos Representantes] e o Senado e tirar o poder” a Trump.

Referia-se às eleições intercalares, que se realizarão em novembro próximo.

A organização da “Women’s March”, que no ano passado se centrou em Washington DC, onde se situa o Capitólio, e reuniu 500.000 pessoas, procurou este sábado precisamente transformar os protestos em ação política, encorajando as mulheres a candidatarem-se a cargos públicos e fomentando o voto.

“Para enviar uma mensagem forte de que as mulheres vão liderar as vitórias eleitorais em 2018, tínhamos que ir para um estado relevante. Escolhemos o Nevada”, explicou à estação televisiva norte-americana CNN uma das organizadoras, Linda Sarsour.

Em Las Vegas, capital desse estado que, nas últimas eleições, passou de republicano para democrata, votando em Hillary Clinton, a marcha incorpora a campanha “PowerToThePolls” (Poder ao Voto) e contará no domingo com representantes de associações cívicas como Planned Parenthood e Black Lives Matter, para impulsionar o recenseamento eleitoral e a mobilização política.

Outras cidades em que milhares de pessoas saíram à rua foram Washington, Denver, São Francisco e Los Angeles, tendo esta última contado com a participação de estrelas de Hollywood.

As atrizes Viola Davis, Natalie Portman e Eva Longoria foram algumas das mulheres que tomaram o microfone para incentivar ao poder das mulheres e falar dos escândalos de abusos sexuais na indústria cinematográfica revelados nos últimos meses, que desencadearam movimentos feministas e de denúncia social como #MeToo e #Time’sUp.

Durante o fim de semana, há centenas de marchas e ações agendadas a nível global em torno dos direitos das mulheres, nas capitais de países como Argentina, Quénia, China, Canadá, Austrália e Itália, mas também em cidades secundárias e localidades mais pequenas.

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