Dos campos de batalha sírios até as cidades em ruínas no Iémen, os repórteres são testemunhas de uma enorme violência, mas por vezes surgem momentos de esperança, beleza e até mesmo romance.

Como por exemplo o momento recordado pelo fotógrafo Safin Hamed que lembra o dia em que acompanhou o casamento de um jovem casal da minoria yazidi, perseguida pelo grupo Estado Islâmico no Iraque.

O casal saíu das suas tendas num campo de refugiados e celebraram o casamento em Dohuk, no Curdistão iraquiano, situado no norte do país.

"Foi uma festa muito simples. Não teve buffet, serviram apenas bolo. Queriam realmente partilhar a sua felicidade e comemorar", disse Hamed.

Os recém-casados eram crianças quando o Estado Islâmico invadiu a região de Sinjar, berço histórico dos yazidis, em 2014.

Centenas de pessoas foram assassinadas. As mulheres foram forçadas a ser escravas sexuais e os jovens a servir como soldados para o grupo.

Depois de terem sobrevivido durante seis anos com ajuda humanitária, o casal "valorizava a vida e queria continuar, apesar de tudo que já tinha lhes acontecido", acrescentou Hamed.

Os convidados, vestidos com belíssimos trajes tradicionais, dançaram ao ritmo da música curda típica dos casamentos, cantada por um grupo de músicos.

"Quando o grupo terminou de cantar, todos queriam que continuasse", lembra o fotógrafo.

"Apesar do sofrimento, todos tinham se preparado perfeitamente para a ocasião. Foram ao cabeleireiro e escolheram a sua melhor roupa", conta.

"Foi muito diferente do meu trabalho habitual, repleto de bombardeamentos"

No Iémen, um país que está em guerra há mais de cinco anos e cuja capital está sob o poder dos rebeldes huthis, Mohammed Huwais fotografou homens a dançar na rua durante um casamento que ocorria no local que segundo a ONU abriga a pior crise humanitária do mundo.

Em Idlib, uma província no noroeste da Síria e o último grande reduto dominado por extremistas e rebeldes na Síria, Aaref Watad imortalizou um vestido de noiva no meio dos ferros retorcidos fotografado em frente a uma loja destruída em dezembro do último ano.

Mais ao leste, Moustafa Ramadan e Luvin Yusuf tiveram que adiar o seu casamento por causa da ofensiva turca lançada no norte da Síria em outubro do último ano. Finalmente, os noivos disseram sim em Qamichili, perante as lentes do fotógrafo Delil Souleiman e de um grupo de convidados que aplaudiram e cantaram músicas patrióticas curdas.

"Foi muito diferente do meu trabalho habitual, repleto de bombardeamentos, pessoas sem abrigo e mortes", conta o fotógrafo da AFP.

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