A posição da OM surge na sequência das revelações feitas pelo diretor do serviço de Oncologia do Hospital, Luís Costa, sobre a situação ocorrida naquele hospital de Lisboa.

Em comunicado, o presidente do Conselho Regional do Sul da OM. Alexandre Valentim Lourenço, considera que "criar listas de espera em Oncologia é correr o risco de perda de vidas", o que considera "inadmissível e cujas responsabilidades são totalmente do Ministério da Saúde".

Segundo Alexandre Valentim Lourenço, a liberdade de escolha dos doentes pelo hospital onde querem ser tratados é “uma excelente medida, mas falha redondamente porque falta regulamentação legislativa, financiamento e planeamento que permitam a autonomia dos serviços e dos hospitais".

O mesmo responsável refere que, ao terem a possibilidade de escolha, os doentes procuram os hospitais que os tratam melhor e têm mais meios. Mas, se a resposta desses hospitais diferenciados não for melhorada, está-se a criar e a aumentar listas de espera, uma situação que classifica de "inaceitável" em Oncologia.

O Hospital de Santa Maria está sem capacidade para tratar os doentes com cancro que têm procurado os seus serviços, já adiou tratamentos e está prestes a abrir uma lista de espera, admitiu hoje o diretor da Oncologia.

Em entrevista à rádio TSF, o diretor do serviço de Oncologia de Santa Maria, Luís Costa, disse que tem aumentado a procura por causa da lei que abre a hipótese de o doente escolher o hospital onde quer ser tratado e queixa-se de falta de espaço e de meios humanos.

“Estou quase a abrir [lista de espera] porque não tenho médicos para tantos doentes nem tenho espaço. (…) Começámos na semana passada, não conseguimos tratar os doentes que estavam previstos e tivemos que adiar [os tratamentos] uma semana”, afirma Luís Costa.

O responsável da Oncologia do Hospital de Santa Maria reconhece que nunca houve qualquer situação de falta de medicação, mas diz que tem pouco espaço e meios humanos para tratar tantos doentes, sublinhando que todos os tratamentos nesta área são urgentes e que uma eventual lista de espera “não deixa ninguém sossegado”.

“Se não tenho espaço nem pessoas suficientes para fazer o trabalho, o que vou fazer?”, questiona o responsável na entrevista à TSF, reconhecendo que com o aumento da procura daquele serviço os médicos estão “atrapalhadíssimos”.

De acordo com o presidente do Conselho Regional do Sul, na Oncologia, que "é muito sensível", é importante dotar os melhores centros de "mais e melhores recursos", porque é uma área que está "diretamente relacionada com a capacidade de salvar vidas".

Alexandre Valentim Lourenço teme, a avaliar pelas palavras do diretor de serviço sobre a impossibilidade de contratar novos especialistas que terminaram em abril a especialidade, que se possa estar "a assistir de novo ao que já aconteceu no ano passado, em que o concurso foi lançado com nove meses de atraso e, entretanto, levou à saída de jovens especialistas para o estrangeiro e para hospitais privados, o que se agravará ainda mais a situação".

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