Nos Países Baixos, qualquer rei ou rainha pode também casar com uma pessoa do mesmo sexo, esclareceu o primeiro-ministro, Mark Rutte. Apesar de o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser possível naquele país desde 2001, assumia-se que tal direito não se aplicaria à família real, já que havia a necessidade de assegurar herdeiros.

A clarificação surge numa altura em que a vida da herdeira ao trono, a princesa Amália, está sob maior escrutínio, já que se aproxima dos 18 anos (em dezembro). Mark Rutte disse que, “teoricamente”, a próxima rainha poderia casar com uma mulher.

“Por isso, o governo não vê razão para que um herdeiro ao trono ou rei deva abdicar se ele ou ela quiser casar com um parceiro do mesmo sexo”, explicou o líder do governo, numa resposta a uma pergunta escrita pelo próprio partido no parlamento.

Não há indicação de que Amália vá, de facto, casar com outra pessoa do mesmo sexo, mas um livro durante o verão levantou a questão sobre o que sucederia nesse cenário — e dois deputados do partido liberal de Rutte, o VVD, decidiram perguntar se as atuais restrições ao casamento real refletem “as normas e valores de 2021”.

Apesar de o governo garantir que uma união entre duas pessoas do mesmo sexo é possível, a dúvida que resta é o que aconteceu à sucessão no trono caso haja descendentes nascidos de um casamento real entre pessoas do mesmo sexo, seja por adoção ou doação de gâmetas.

“É assustadoramente complicado”, admite Rutte. A constituição dos Países Baixos diz que um rei ou rainha só pode ser sucedido no trono por um “descendente legítimo”.

O primeiro-ministro holandês disse, então, que, mesmo sendo tudo nesta fase uma discussão meramente teórica, a decisão caberia ao parlamento — já responsável por aprovar um casamento real. “Vamos atravessar essa pode se chegarmos a esse ponto”, disse Rutte na televisão.

Já a princesa Amália, cuja vida pessoal é pouco pública, não fez qualquer comentário sobre este tema. No início do ano, decidiu não aceitar os 1,6 milhões de euros anuais a que tem direito a partir dos 18 anos, porque tal a faria sentir-se “desconfortável”, cita a imprensa internacional.

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