Segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), o Papa Francisco, que presidiu ao encerramento do X Encontro Mundial das Famílias, no Vaticano, não se referiu explicitamente àquela decisão nem utilizou a palavra aborto, mas alertou para a necessidade de defender as famílias, condenando a “cultura do desperdício” que considera estar associada à aceitação social do aborto.

“Não deixemos que a família seja envenenada pelas toxinas do egoísmo, do individualismo, da cultura atual da indiferença e do desperdício, e com isso perca seu próprio ADN, que é o espírito de acolhimento e serviço”, afirmou aos milhares de pessoas que se juntaram na Praça de São Pedro no encerramento do Encontro Mundial das Famílias, que decorreu durante quatro dias.

Para o Papa, que proferiu a homilia sentado, devido a um problema num joelho, mas que se levantou em alguns momentos com a ajuda de uma bengala, “alguns casais permitem que seus medos e ansiedades frustrem o desejo de trazer novas vidas ao mundo”, apelando à rejeição desses “desejos egoístas”.

Francisco defendeu a oposição da Igreja ao aborto, que comparou à “contratação de um assassino para resolver um problema”, apesar de manifestar compreensão pelas mulheres que já recorreram à interrupção da gravidez, facilitando a “absolvição do pecado” daquela prática.

A Igreja Católica sustenta que a vida começa na conceção e deve ser protegida e defendida até a morte natural.

O Vaticano saudou a decisão de sexta-feira que anulou a decisão de 1973 que forneceu proteções constitucionais para o aborto nos Estados Unidos, prática que já é ilegal em nove estados.

O principal órgão de bioética da Santa Sé, a Pontifícia Academia para a Vida, desafiou “o mundo inteiro” a reabrir o debate sobre a necessidade de proteger a vida. O aborto é legal em Itália e na maior parte da Europa.

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