Numa informação colocada na sua página na rede social Facebook, a associação informa que a Rota da Carmelitas, entre Coimbra e Fátima, “começou a apagar” os caminhos de Fátima, “ignorando, ou não, que estão a matar um caminho de peregrinos”.

Ao mesmo tempo, “e com os mesmos fundos” da União Europeia (UE) “lançados pelo Turismo de Portugal”, a Associação Caminhos de Fátima, que tem como sócios-fundadores 14 municípios que partilham a principal rota de peregrinação a Fátima (Vila Nova de Gaia-Ourém), “decidiu lançar a confusão ao promover um mapa dos caminhos mal assinalados por esta entidade”.

“Temos dezenas de peregrinos a ligarem a perguntar onde estão estes caminhos do mapa da Associação de Municípios”, refere a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, que mostra fotografias nas quais se vê, em marcos, a sobreposição do logótipo oficial dos Caminhos de Fátima à inscrição feita por esta.

A Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima lembra ainda que durante os últimos 11 anos trabalhou para “fazer crescer” estes percursos em direção a Fátima que “estavam ao abandono”, enumerando os caminhos reabilitados onde foram pintadas “mais de 8.000 setas”, em Portugal e Espanha.

Ainda no Facebook, a associação informa que “deixou de colaborar com a secretaria de Estado do Turismo”, pois sabia que “estas obras feitas à pressa para gastar os fundos da UE só iam destruir os caminhos de Fátima e criar confusão aos peregrinos”.

“Recomendamos que os políticos vão gastar dinheiro onde realmente é necessário e deixem o caminho aos peregrinos”, adianta.

À agência Lusa, o presidente da Associação Caminhos de Fátima, Diogo Mateus, esclareceu não se está a apagar a sinalização, mas “a dar uniformidade de sinalização e informação nos percursos Caminhos de Fátima”, adiantando desconhecer a eventual existência de mapas oficiais já divulgados sem a sinalética prévia no terreno.

Diogo Mateus adiantou que quando se constituiu esta associação uma das primeiras entidades a ser convidada foi a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, “para, em nenhuma circunstância”, ser desconsiderado “o trabalho e a experiência desta entidade nos últimos anos”.

“Também, em nenhuma circunstância, os municípios envolvidos neste processo deixaram de ter competências que, aliás são das obrigações mais antigas no municipalismo português, na marcação de estradas e caminhos, competência que deve ser respeitada”, salientou Diogo Mateus, também presidente da Câmara de Pombal, no distrito de Leiria.

O autarca acrescentou que a Rota das Carmelitas tem como “interlocutor a Rede de Muralhas e Castelos Medievais do Mondego, em absoluta sintonia com a Associação dos Caminhos de Fátima, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Associação de Peregrinos Via Lusitana, juntas de freguesia por onde passa a rota e, também, a colaboração do Turismo de Portugal”.

“É uma iniciativa que tem uma coerência funcional, de comunicação e identidade que queremos estender a todo o país, mas que tinha desde há praticamente uma dezena de anos um projeto desenvolvido pelo interior da região Centro, a sul de Coimbra - a Rota das Carmelitas -, que integrou esta primeira fase dos nossos trabalhos, com a atualização da imagem criada para criar a nova sinalética que vai ser utilizada nos municípios que se associaram ou querem associar à Associação Caminhos de Fátima”, referiu.

Segundo Diogo Mateus, “as entidades envolvidas neste projeto reconhecem que a imagem oficial de promoção e divulgação nacional e internacional dos caminhos de Fátima é esta que está agora a ser utilizada”.

Notando que o financiamento comunitário não paga 100 por cento o investimento e garantindo abertura “para a colaboração de todas as pessoas e entidades”, o presidente da associação sublinhou que “os caminhos não têm dono” e frisou não haver desprezo pelo trabalho de ninguém.

Em 03 de maio de 2017, a poucos dias da visita do Papa Francisco a Fátima, o Turismo de Portugal, o Centro Nacional de Cultura e a Associação dos Caminhos de Fátima assinaram um protocolo para desenvolver e dinamizar o projeto Caminhos de Fátima.

Na ocasião, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, disse que os Caminhos de Fátima são um projeto “para todos e para ser feito com todos”.

Hoje, numa declaração escrita enviada à Lusa na sequência da denúncia da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, Ana Mendes Godinho salienta que este “tem sido um projeto muito desafiante e colaborativo, atendendo à diversidade e multiplicidade de entidades envolvidas”.

“Neste momento, estamos a trabalhar com todas as associações que querem fazer parte deste projeto estruturante, confiantes de que o resultado que já estamos a ver é um caminho seguro e inesquecível, fora das estradas de grande circulação e com enquadramentos paisagísticos e culturais únicos que levam cada vez mais quem nos visita a ficar deslumbrado e a descobrir o território”, acrescenta a governante.

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