“A Geórgia suavizou consideravelmente a política em relação à Rússia. As tensões entre a Geórgia e a Ucrânia aumentaram, a Geórgia distanciou-se das sanções anti-russas dos Estados Unidos e da União Europeia”, afirmou a chefe de Estado durante a mensagem anual à nação, criticando “a retórica anti-europeia e anti-ocidental do governo”.

Anunciou que tenciona criar um centro de coordenação no seio da Administração para reunir todas as forças políticas interessadas em preservar o rumo europeu do país e impedir “um regresso ao passado soviético”.

De acordo com a Presidente, a situação provocada pelo Executivo pôs em causa o “rumo da integração europeia”, embora tenha afirmado que, “apesar disso, a Geórgia conseguiu uma vitória e recebeu o estatuto de país candidato à União Europeia (UE) em dezembro do ano passado”.

A Geórgia conseguiu uma “vitória” e recebeu o estatuto de país candidato à UE em dezembro do ano passado”, o que se deveu, segundo a Presidente, “ao facto de a sociedade georgiana não ter desistido e ter lutado pela escolha europeia”.

A concessão do estatuto de candidato “abre novas possibilidades para a Geórgia em termos de segurança, para que a Geórgia não fique sozinha com a Rússia”.

“O caminho da ‘russificação’ não é o caminho da Geórgia”, sublinhou, acusando a Rússia de desencadear “uma guerra híbrida” contra a Geórgia.

A “guerra híbrida” é um conceito que resulta da conjugação de estratégias militares, políticas além da promoção da desinformação, da interferência em processos eleitorais e um uso extremo de meios tecnológicos.

Do ponto de vista militar, Zurabishvili recordou a decisão da Rússia de criar uma base naval na república separatista da Abcásia, apoiada e reconhecida por Moscovo, que “representa uma ameaça para toda a região do Mar Negro”.

A chefe de Estado acusou ainda a Rússia de “encorajar e financiar grupos pró russos na Geórgia” e alertou para os perigos colocados pela “migração russa em grande escala para a Geórgia”, ocorrida após o início da guerra na Ucrânia e da mobilização parcial decretada pelo Kremlin em setembro de 2022.

Da mesma forma criticou o Governo liderado pelo partido ”Sonho Georgiano” por “reforçar o próprio poder em vez da democracia (…) e regressar ao sistema soviético de partido único, à corrupção das elites, ao controlo do sistema jurídico, à repressão da oposição, rotulando-a de radical”.

Quando o mandato de Zurabishvili terminar no final do ano, o novo chefe de Estado não vai ser eleito em eleições nacionais e vai ser nomeado por uma comissão de eleitores composta por 150 deputados e 150 representantes das autoridades locais.

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