Marcelo Rebelo de Sousa assumiu esta posição na Igreja de São Domingos, em Lisboa, onde inaugurou, em conjunto com a ministra da Defesa Nacional, uma mostra expositiva alusiva à vigília da Capela do Rato, que começou em 30 de dezembro de 1972, e participou numa conversa sobre o tema “A Paz é Possível: afirmação impossível?”, organizada pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de abril.

Perante uma plateia onde se encontrava o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e a comissária executiva das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, o chefe de Estado afirmou que tem “refletido muito” sobre a necessidade de se homenagear o “contributo cristão” no processo que levou à revolução de 25 de Abril de 1974.

“Do mesmo modo que ao celebrar-se - neste processo longo até 2024 e depois 2026 -, os 50 anos do 25 de Abril, tem havido o reconhecimento, que vai continuar ao longo do tempo, do papel dos militares de Abril e de outros que foram lutando nas suas áreas, que era justo que houvesse um sinal em relação ao contributo cristão nesse processo”, defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que “já houve um reconhecimento em relação aos precursores”, dando o exemplo de D. António Ferreira, mas disse que “não queria esconder” que anda “com a ideia de ter um gesto simbólico em relação à comunidade do Rato”.

Ladeado pelo professor Luís Moita e pelo cónego António Janela, personalidades chave na vigília da Capela do Rato, salientou que a sua “única dúvida” sobre esta homenagem é “saber como é que isso se faz”.

“Se se faz personalizando-o numa figura - é um pouco difícil, há tentações, depois o padre Janela é uma grande tentação, mas depois a sua modéstia dirá logo que não - ou se é mais coletivo, a comunidade como um todo, e ficava lá: no fundo, a Ordem da Liberdade a significar um ‘muito obrigado’”, disse.

O Presidente da República reconheceu que “não foi um único núcleo cristão que fez o percurso nomeadamente próximo para a liberdade”, mas salientou que a comunidade da Capela do Rato teve um “papel próximo, mais próximo, em relação a esta liberdade”.

Continuando a ponderar sobre a forma a dar à condecoração, Marcelo reiterou que “provavelmente” essa condecoração será coletiva, “poupando ao padre Janela”, mas também porque seria injusto para outros que também fizeram esse percurso” caso fosse personalizada.

“Mas tem de haver um gesto. Tem de haver um gesto, está pensado, por isso é que, pensado esse gesto, há que depois formalizá-lo, porque é um sinal de que não se esquece, e se agradece, foi isso que viemos aqui também fazer: viemos falar do futuro e viemos agradecer o contributo do passado”, disse.

Pouco depois, em declarações aos jornalistas à saída da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado se já tinha data para a condecoração, tendo respondido que vai tentar que ocorra na próxima semana, no âmbito de uma cerimónia que deverá ocorrer na Capela do Rato.

Em 30 de dezembro de 1972, iniciou-se a vigília de 48 horas na capela do Rato, em Lisboa, que refletiu sobre a paz e a guerra, que nessa altura já durava há 11 anos nas então colónias de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Este encontro católico, mas que juntou também não católicos em 1972 foi apelidado pelo então chefe do Governo, Marcello Caetano, de “escândalo” da capela do Rato e acabou por ser interrompido pelas forças policiais, resultando em mais de uma dezena de detenções e na demissão dos funcionários públicos presentes.

Após os incidentes com a polícia, o patriarca de Lisboa António Ribeiro decidiu contrariar as ordens de suspensão do culto, o que conduziu à prisão de dois padres que celebravam missa no dia 1 de janeiro de 1973.

(Notícia atualizada às 22h30)

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