“Isto é, no fundo, uma chapada de luva branca à forma como os governos têm tratado os polícias, votando-os ao menosprezo, à desvalorização, ficando a olhar para o lado, a empurrar os problemas para a frente. Isto surge, de alguma forma, por causa disto. Não é por causa de falha dos sindicatos”, disse o presidente da maior associação sindical da PSP, Paulo Rodrigues.

O dirigente da ASPP/PSP admitiu que o caminho seguido pelo Movimento Zero “é perigoso”, mas, acrescentou, “parece que o Governo, continuando a não responder” às reivindicações das associações sindicais da PSP, “está justamente a empurrar os polícias para situações destas”.

“Espero que isto tenha um fim e tenha um fim rápido”, defendeu Paulo Rodrigues, que falava à agência Lusa após receber, nas instalações do Porto da ASPP/PSP uma delegação do PCP liderada pela deputada Diana Ferreira, para, segundo a convocatória daquele partido, analisar “problemas decorrentes da falta de efetivos das forças de segurança na região”.

O Movimento Zero foi criado através das redes sociais e dele fazem parte agentes da PSP e militares da GNR. Uma das suas ações mais notórias foi um protesto durante a cerimónia de aniversário da PSP, a 12 de julho, em Lisboa.

Os polícias do Movimento Zero vestiram então camisolas brancas e voltaram-se de costas quando o diretor nacional da PSP, Luís Farinha, começou a falar na cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, mantendo-se nesta posição até ao final do discurso.

Quando o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, começou a discursar os polícias saíram em silêncio e de forma ordeira, levantando os braços e fazendo o gesto do zero com os dedos.

Nas declarações de hoje à Lusa, Paulo Rodrigues aludiu também ao problema dos efetivos na PSP, referindo que a corporação tem 20 mil agentes ao seu serviço, mas “só 14 mil é que têm condições para desenvolver a parte operacional”, que representa 90% da atividade policial.

“Temos muita falta de chefes, temos muita falta de agentes. Ao nível de oficiais, temos alguma falta, mas nos cargos superiores não notamos essa falta. Precisamos de pessoal para continuar a desenvolver o trabalho nas esquadras, continuar a ir às ocorrências no carro patrulha”, disse.

No caso concreto do Comando Metropolitano do Porto, especificou, há quatro mil agentes, dos quais mil “já deviam ter passado à pré-aposentação". Estão contabilizados, mas não trazem qualquer significado em termos de trabalho operacional”.

“Temos polícias a fazer o seu turno e o de mais dois”, observou.

A falta de efetivos no Comando da PSP do Porto foi também uma das situações assinaladas pela delegação do PCP que se encontrou com Paulo Rodrigues.

Diana Ferreira associou a falta de efetivos ao encerramento em período noturno de esquadras na periferia do Porto, nomeadamente Valongo, Ermesinde, Maia e São Mamede de Infesta.

“Pudemos confirmar nesta reunião que o encerramento se deve efetivamente à falta de efetivos face ao conjunto de solicitações que lhes são colocadas”, disse.

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