Já ouviu falar em Thangyat? Provavelmente, não, mas é uma arte tradicional do Myanmar, que junta poesia, música e comédia para abordar os assuntos sociais do país. Enraizada na cultura popular desde os reinos da antiga Birmânia, foi proibida pelo regime militar até 2013. Ainda que, hoje, seja possível organizar espetáculos, todos os guiões são passados a pente fino e têm de ser aprovados pelas autoridades.

Paing Phyo Min, que faz parte do coletivo Peacock Generation, recusou ceder à censura e fez uma série de apresentações nas ruas de Yangon. Por ter exercido o seu direito à liberdade de expressão, acabou condenado a seis anos de prisão. 

Injustiça é apenas uma das palavras que podemos usar para descrever esta história, com contornos de maior incompreensão porque Paing Phyo Min está preso no país de Aung San Suu Kyi. Premiada com o Nobel da Paz, em 1991, desempenha as funções de conselheira de Estado do Myanmar. O apelo da Amnistia Internacional pela libertação deste jovem tem, por isso, uma destinatária muito particular.

Em Portugal, o ator Ivo Canelas já se juntou à campanha.

Um jovem como outro qualquer

Fã da cantora Taylor Swift, Paing Phyo Min gosta de cantar e tocar guitarra. Aos 23 anos, é também presidente de uma associação de estudantes universitários. Ou melhor, era. Em abril de 2019, ele e outros cinco elementos do grupo Peacock Generation foram detidos após uma das suas atuações de Thangyat. Durante o espetáculo, vestiram-se de militares e foram oferecendo aos espetadores a visão que têm do país e do poder do exército nacional, que não tolera críticas e está desesperado por se manter no poder, ao mesmo tempo que muitos generais vão enriquecendo.

Maratona de Cartas

A Maratona de Cartas é o maior evento de ativismo da Amnistia Internacional.

Todos os anos, a Amnistia Internacional envia centenas de milhares de cartas e assinaturas em defesa de pessoas em risco.

Os casos sinalizados têm um objetivo muito concreto, pelo que as assinaturas nas petições são enviadas às autoridades dos países visados para que a mudança ocorra.

A nível mundial, a Maratona de Cartas atingiu na edição passada um novo valor recorde, com mais de 6,5 milhões de assinaturas.

Saiba mais no site.

“Estão a prejudicar a transição democrática no Myanmar. Podemos estar presos, mas não vamos ser impedidos de dizer o que pensamos”, afirma Paing Phyo Min, a partir da prisão.

O jovem foi acusado de dois crimes: incitar os militares a abandonarem as suas obrigações, por causa das críticas que fez ao exército nas sátiras, e difamação online, uma vez que partilhou fotografias e vídeos da atuação.

Agora, na prisão, a pandemia de COVID-19 roubou-lhe parte das visitas a que tinha direito e, por vezes, o único contacto que tem com a família é feito através de cartas. O pai não quer que o filho desista de todos os sonhos e os estudos são uma parte importante do futuro de Paing Phyo Min. Para que ocupe o tempo, envia-lhe livros de inglês, história, poesia e biografias.

A vida de Paing Phyo Min também já podia ter dado um livro. Só que a sua história não pode acabar assim. Atrás das grades. Por ter expressado livremente uma opinião.

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