“Atualmente, entre os jovens europeus com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte prematura”, lê-se no Livro Branco sobre o Bem-Estar Mental dos Jovens na Europa, lançado pela Z Zurich Foundation.

A iniciativa é apresentada como um apelo para a ação dos decisores políticos, empresas Organizações Não Governamentais (ONG) e cuidadores, mas também dos próprios jovens.

Como ajudar alguém em risco?

A comunidade pode ter um papel relevante na prevenção do suicídio. É importante ter a consciência de que a maior parte das pessoas que se suicidaram avisaram antes e que, portanto, nunca deveremos menorizar um aviso de suicídio.

Todas as pessoas que tenham ideias de suicídio devem procurar apoio imediato e a família deve lutar por esse apoio. Recorde-se a necessidade de tratar a depressão, que é uma doença e não um estado de espírito — e é tratável. Existe uma urgência de psiquiatria com atendimento imediato em muitos locais e que em todos os distritos há um serviço de psiquiatria com consultas.

Caso tenha pensamentos suicidas ou conheça alguém que revela sinais de alarme, fale com o médico assistente. Se sentir que os impulsos estão fora de controlo, ligue 112.

Outros contactos:

SOS Voz Amiga
Lisboa (atendimento das 16 às 24h)

21 354 45 45
91 280 26 69
96 352 46 60

SOS Telefone Amigo
Coimbra
239 72 10 10

SOS Estudante
Coimbra
808 200 204

Escutar - Voz de Apoio
Gaia
22 550 60 70

Telefone da Amizade
Porto
22 832 35 35

A Nossa Âncora
Sintra
219 105 750
219 105 755

Departamento de Psiquiatria de Braga
Braga
253 676 055

Brochura do INEM
Ler aqui.

“Na União Europeia, o declínio da saúde mental custa mais de 600.000 milhões de euros por ano”, notam os autores do relatório hoje divulgado, segundo os quais a saúde mental dos jovens é “pouco priorizada”.

“Apenas 2% dos orçamentos nacionais de saúde globais foram gastos em saúde mental em 2020, concentrando-se principalmente no tratamento em vez da prevenção e promoção”, sublinha a mesma fonte.

No Livro Branco, a Fundação destaca um programa que apoia em Portugal (Por ti: Programa de Promoção de Bem-estar Mental nas Escolas), referindo que em dois anos chegou a já quase 70.000 alunos.

“O bem-estar mental dos jovens é crucial para a sociedade e vai além do tratamento de problemas à medida que estes surgem, abrangendo o desenvolvimento de uma vida plena. Inclui a literacia emocional e as competências para identificar quando se está sob stresse e para defender os próprios interesses; a resiliência para responder aos altos e baixos da vida; relações fortes e competências sociais; e a capacidade de participar e contribuir para a sociedade”, sublinha-se no documento.

Segundo dados da OCDE, citados no comunicado hoje divulgado com o Livro Branco, (“Health at a Glance: Europe 2018”), Portugal é o quinto país europeu com maior prevalência de questões de saúde mental, com uma estimativa de 18,4% da população.

“Devido às interrupções escolares provocadas pelo confinamento da covid-19 durante dois anos letivos e ao isolamento social a que os adolescentes e as comunidades escolares estiveram expostos, o bem-estar mental vai continuar a ser um tema extremamente crítico para Portugal”, refere a Fundação.

No contexto europeu, mais de um em cada seis jovens “lutam com a sua saúde mental” e, de acordo com os autores do trabalho, “dados recentes sugerem que a situação está a piorar”.