Além da realização do inquérito, cujas conclusões devem ser “divulgadas e tornadas públicas”, a Quercus defende a elaboração de “um plano específico” para monitorizar a qualidade do ar, solo e água, para perceber “o potencial grau de contaminação local a que o incidente poderá conduzir”.

O plano deverá incidir principalmente na análise de água para consumo humano (captações de água) e na qualidade da água do estuário do Sado e das zonas balneares circundantes, refere a Quercus em comunicado.

A associação manifesta também “enorme preocupação” com as consequências provenientes do incêndio que deflagrou na madrugada de terça-feira nos armazéns de enxofre da Sapec Agro e que foi declarado extinto às 9:10 de hoje.

Para a Quercus, devem ser tomadas “todas as medidas” ainda na fase de rescaldo do incêndio no sentido de “minimizar os impactos negativos” que “pairam sobre as populações, sobretudo da região de Setúbal, e sobre o ambiente”.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, 20 pessoas, entre as quais 10 bombeiros, sofreram lesões devido ao excesso de dióxido de enxofre libertado no incêndio.

“É importante ter em consideração se, num período inicial do incidente, as condições meteorológicas foram favoráveis à dispersão da nuvem poluente de dióxido de enxofre” e, desse modo, "auxiliaram o controlo” da qualidade do ar dentro dos parâmetros legalmente definidos, sublinha a associação.

A Quercus refere que a estação de monitorização da qualidade do ar no centro da cidade de Setúbal registou 503 microgramas de dióxido de enxofre por metro cúbico de ar, quando o limite máximo admissível se situa nos 500 microgramas, sendo “muito provável que a concentração deste poluente em locais mais próximos ao incêndio seja bastante superiores”.

Perante esta situação, os ambientalistas consideram que as declarações feitas na terça-feira pelo representante da Sapec, em que defende que a nuvem poluente não constitui “um perigo para a população” são “totalmente irresponsáveis e de elevada gravidade”.

Em última análise, sublinham, estas declarações podem ser “consideradas uma tentativa de camuflagem da real dimensão e extensão do problema”.

“A demonstração do risco e da elevada perigosidade do gás libertado na nuvem de fumo está evidente e demonstrada” na recomendação da Direção-Geral de Saúde para os habitantes da região se protegerem devido a elevados níveis de dióxido de enxofre no ar.

Entretanto, a DGS afirmou hoje, em conferência de imprensa, que, neste momento, não há emissão de dióxido de enxofre e que não se justificam as medidas de proteção à população anunciadas na quarta-feira.

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