Com a Catalunha de volta a um turbilhão de instabilidade, motivado por um jogo de forças entre as pulsões independentistas catalãs e o jugo centralista madrileno, façamos a pergunta: o que diria José Ortega Y Gasset?

É uma curiosa coincidência que amanhã, no mesmo dia em que se assinalam 64 anos da morte de um dos mais influentes pensadores espanhóis de sempre, esteja marcada uma greve geral na Catalunha, naquele que será o quinto dia consecutivo de protestos depois do Supremo Tribunal espanhol condenar nove políticos catalães a penas de prisão pelo seu papel na tentativa de independência em outubro de 2017.

O que é curioso aqui é que o escritor de “A Rebelião das Massas”, para além de toda a sua extensa obra filosófica, foi também um ator político do seu tempo e, inclusive, dedicou-se a pensar naquela que secularmente vem sendo descrita como a “Questão Catalã”.

No entanto, apesar de toda a sua sapiência, nem Ortega Y Gasset foi capaz de apontar para uma solução para esta questão. Sendo contra a sua independência — e tendo um papel em limitar a sua autonomia quando fez parte do Parlamento durante a Segunda República espanhola —  o filósofo concedeu que este era um problema “que não se pode resolver”, sendo apenas possível apelar à “tolerância” mútua entre espanhóis e restantes catalães já que “a Catalunha continuará a causar dor à Espanha e vice-versa”.

E se até 1955, data em que morreu, o problema parecia irresolúvel, hoje o caso não parece ser diferente. Há dias escrevi que Barcelona podia seguir-se a Hong Kong como nova metrópole tomada pela desobediência civil e a recrudescência dos confrontos (não só nessa cidade como noutras da região) aponta nesse sentido, tanto que o governo espanhol ameaça usar métodos de dispersão inéditos.

Ao SAPO24, dois residentes em Barcelona contaram como é a atual vivência na cidade das Ramblas, descrevendo o ambiente como bipolar: durante o dia, pacífico, sendo que à noite desce ao caos. Teremos de acompanhar os desenvolvimentos nos próximos dias, sabendo também que mais protestantes vão chegar entretanto, sendo amanhã o dia em que as "Marchas por la libertad" — compostas por milhares de manifestantes de várias cidades catalãs — chegam ao epicentro.

Enquanto a resposta à “questão catalã” fica por resolver, há uma outra que se aproxima da sua resolução… ou será que não? As boas novas foram dadas logo de manhã, com Jean-Claude Juncker e Boris Johnson a confirmarem um novo acordo para o Brexit ao fim de dias de árduas negociações. À tarde, veio a confirmação, com os chefes de Estado e de Governo dos 27 estados-membros a aprovarem também esse acordo.

No entanto — e como nada (absolutamente nada!) no Brexit tem sido simples — tal marco não implica que as coisas sejam mais fáceis doravante. Força de bloqueio a uma (qualquer, na verdade) solução desde o início do processo, este novo acordo tem de passar pelo Parlamento britânico e ninguém parece querer facilitar a vida a Boris Johnson: se a oposição trabalhista já se manifestou contra o acordo, defendendo que deve ser sujeito a um referendo, também os aliados do executivo, o Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte, torceram o nariz. A piorar tudo isto, Juncker já frisou não vai aceitar um novo adiamento, pois perante um acordo reformulado não há argumentos para novas extensões, mesmo que o parlamento britânico rejeite o texto.

Se estas duas questões ficam por resolver, há uma que já teve resposta. Será que Sam the Kid alguma vez voltaria aos palcos em nome próprio? A resposta é sim e é já amanhã que tal hipótese se consuma, subindo o rapper ao Coliseu dos Recreios, acompanhado pelos Orelha Negra e também por uma Orquestra de 24 elementos, dirigida pelo maestro Pedro Moreira.

Mas se hip-hop não for do seu agrado, há outras sugestões a considerar:

  • No Centro Português de Arquitetura, em Matosinhos, dá-se a inauguração da exposição "Souto de Moura: Memória, Projectos, Obras", sendo composta por 604 maquetes, cerca de 8500 peças desenhadas e toda a documentação textual e fotográfica que complementa os projetos.
  • Repartido entre a Guarda e Portalegre, começa amanhã o Festival Internacional One Man Band, que conta com a participação de seis músicos de cinco países, sendo o critério, lá está, serem intérpretes a solo que tocam vários instrumentos;
  • Almada recebe a estreia antecipada da peça "As cadeiras", de Eugene Ionesco, com encenação de António Pires, sendo que o espetáculo ficará em cena no Teatro Joaquim Benite até dia 20 de outubro: sexta e sábado, às 21:30, e no domingo, às 16:00.

Por fim, e porque não foi apenas Ortega Y Gasset a única personalidade de vulto a deixar este mundo no dia 18 de outubro, recordamos os 88 anos da morte de Thomas Alva Edison com este clássico dos Spiritualized.

O meu nome é António Moura dos Santos e hoje o dia foi assim.

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