O café do bairro reabriu, as avenidas estão entupidas com carros, o teto de minha casa está arranjado, o meu vizinho voltou, já há uma ou outra noite fria, já não sei se faço mais praia este ano, os bares das praias têm placas a dizer quando vão fechar, a minha família de França foi-se embora, a minha avó já foi à lenha, e eu já cancelei a minha inscrição no ginásio.

É setembro, o mês em que a vida entra nos eixos — antes desnorteados pelos dias de férias dispersos por julho e agosto que nos dão força para aguentar mais um ano.

Podia dizer que setembro é o mês em que a vida se normaliza, utilizando assim uma palavra na ordem do dia, para o bem e para o mal... Mas sempre odiei a palavra “normal”. É aborrecida, é uma obrigação enfrentar a normalidade. Mas quem é que quer ser normal? O cliché cabe aqui: o que é ser normal?

Se esta é a Lisboa normal, não gosto. Prefiro apanhar a semana de férias do café de sempre e descobrir um restaurante qualquer com uma boa diária nas redondezas, prefiro atravessar as avenidas fora das passadeiras, prefiro ver o céu do sofá da minha sala, prefiro que todas as noites sejam quentes, prefiro que o meu vizinho fique na terra e não volte, gostava ainda de fazer praia este ano, preferia que os bares de praia continuassem abertos, que a minha família estivesse cá, que a minha avó não tivesse de ir à lenha, que eu não tivesse desistido do ginásio.

Acho que é normal não querermos ser normais, ter uma vida normal. Nunca conheci ninguém que se definisse como uma pessoa normal, e provavelmente nunca conhecerei. E ainda bem. Mas a verdade é que hoje só decidi falar de normalidade porque li a entrevista da nossa Isabel Tavares a José Pinto Coelho e percebi que a palavra de que gosto tão pouco aqui fazia sentido, pela positiva. Normal, para mim, é não votar no PNR, e aqui sim, é bom.

Eu sou o Tomás Gomes e hoje o dia foi assim.

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