“A decisão de encerramento da refinaria do Porto não tem racional económico, é cega, resulta do funcionamento de um sistema monstruoso que visa exclusivamente a obtenção do lucro numa lógica imediatista sem considerar o impacto económico e social, tendo o rasto de pobreza como marca de água”, afirmou esta estrutura sindical num documento enviado à administração da Petrogal e a que a Lusa teve hoje acesso.

A Galp anunciou em dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano.

A decisão põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos, conforme estimativas dos sindicatos.

O sindicato ressalvou que a administração recusou um projeto de biorrefinaria para o atual complexo petroquímico porque “privilegia os resultados de curto prazo para alimentar a fogueira dos dividendos para os acionistas, quiçá relacionados com negócios imobiliários”.

Já quanto ao Governo de António Costa, o SICOP considerou que este “não está comprometido com uma agenda ambiental para a transição energética, mas com a agenda de apropriação da riqueza coletiva do país pelos grandes grupos económicos”.

“Nesta teia, não é percetível onde acaba o Governo nem começa o Grupo Amorim [que detém a maioria do capital da Amorim Energia, que controla 33,34% da Galp Energia], são um conglomerado de interesses alheios aos interesses nacionais”, sublinhou.

No documento, onde é dado parecer negativo ao fecho da refinaria, a estrutura sindical lembrou que a empresa está no H2Sines, um projeto “multimilionário e megalómano para a ainda incerta produção de hidrogénio e que concorre na grande bolada dos recursos públicos/fundos europeus”.

Contudo, na visão do SICOP a estratégia para o hidrogénio em si não justifica a necessidade de encerramento das refinarias, até porque, poderão ser parte integrante do esforço para a reindustrialização da Europa e do país na produção de hidrogénio, combustíveis sintéticos (reciclagem de carbono) e biocombustíveis não classificados.

Se se transformasse a refinaria de Matosinhos numa biorrefinaria, esta deixaria de processar petróleo bruto e passaria a tratar matérias-primas de origem biológica, como óleos alimentares usados e provenientes de resíduos florestais.

“Este projeto seria perfeitamente viável, idêntico ao avançado para a refinaria de Cartagena [Colômbia] “, frisou.

Segundo o sindicato, estes projetos têm elevadas taxas de rentabilidade (30%) e retorno inferior a cinco anos.

No caso da refinaria de Matosinhos, também permitiria reduzir as suas “já baixas” emissões de dióxido de carbono (1.7% no panorama nacional) em cerca de 80%, alertou.

Na semana passada, mais de 50 trabalhadores da Petrogal manifestaram-se em frente à sede da Galp, em Lisboa, contra o encerramento anunciado da refinaria e pela sua reconversão numa biorrefinaria.

Este foi o segundo protesto levado a cabo pelos trabalhadores que, a 12 de janeiro, se reuniram em frente à Câmara Municipal de Matosinhos para criticar o “golpe duro e desumano” da Galp.

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