“É imperativo — é para nós importante e teremos ocasião de falar sobre isso — que o cessar-fogo decidido em Sotchi (Rússia) seja verdadeiramente respeitado”, declarou Emmanuel Macron quando recebia Vladimir Putin no forte de Brégançon, no sudeste de França, para um encontro onde a Ucrânia e as relações Rússia-União Europeia foram também abordadas.

O Presidente russo reafirmou que Moscovo “apoia o exército sírio” no seu combate contra as “ameaças terroristas”.

As forças pró-regime intensificaram desde abril os bombardeamentos contra o norte da província de Hama e o sul da de Idlib último bastião insurgente que ainda escapa ao controlo do Presidente Bashar al-Assad.

Cerca de três milhões de pessoas vivem em Idlib e, segundo a ONU, só nos últimos três meses, mais de 400.000 pessoas estão deslocadas no interior da província, que é controlada na sua maior parte pelo grupo ‘jihadista’ Hayat Tahrir al-Sham (HTS, ex-braço sírio da Al-Qaida).

Macron defendeu ainda a realização de uma cimeira sobre a questão da Ucrânia nas próximas semanas, considerando que a eleição do novo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, representa uma “mudança real” nas relações entre Kiev e Moscovo.

Antes do encontro com o Presidente francês, Putin evocou um “otimismo prudente” em relação ao dossier das relações separatistas pró-russas do leste da Ucrânia após contactos com Zelensky.

O encontro de trabalho entre os dois chefes de Estado permitiu ainda a Macron anunciar que se deslocará a Moscovo em maio de 2020 para assistir às celebrações na Rússia do 75.º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazi e a Putin congratular-se por o presidente francês ter aceitado o convite.

As comemorações na Rússia têm sido evitadas pelos europeus desde que o país anexou a península ucraniana da Crimeia em 2014.

Macron defendeu igualmente uma aproximação entre a União Europeia e a Rússia, apelando a que se recupere a “confiança” numa ordem internacional que está em “recomposição”.

Apesar “dos mal-entendidos das últimas décadas, os debates sobre a relação com o Ocidente”, a Rússia “é europeia” e “deve ser reinventada uma arquitetura de segurança e confiança entre a União Europeia e a Rússia”, declarou.

O encontro bilateral ocorre quando está marcada para 24 e 26 de agosto em Biarritz (sudoeste de França) a cimeira do G7, grupo das sete maiores economias mundiais, que se reunia em formato G8, incluindo a Rússia, antes do país ter sido excluído após a da Crimeia.

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