Na segunda-feira, três famílias de refugiados sírios instalados em Miranda do Corvo ficaram sem água e eletricidade nas casas que habitam por ordem da Fundação ADFP, proprietária das habitações.

"Tivemos conhecimento esta noite da situação de Miranda do Corvo", começou por dizer a secretária de Estado Rosa Monteiro, em resposta à questão colocada sobre a matéria pelo Bloco de Esquerda, no âmbito da audição da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2019 (OE2019).

No caso em concreto, "está a ser neste momento objeto de uma reunião tripartida em Coimbra, precisamente entre a Segurança Social, o ACM [Alto Comissariado para as Migrações]" e a Câmara Municipal, "que desde o início da manhã se disponibilizou para fazer parte da solução "e a própria entidade envolvida", acrescentou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade.

A coordenadora do programa de acolhimento de refugiados da instituição, Paula Santos, explicou à Lusa que as famílias em causa terminaram no início de setembro o contrato de apoio e não mostraram vontade de se autonomizar, conforme estipula o processo de acolhimento.

"Há dois meses que terminou o contrato de acolhimento, mas ao longo de todo o processo temos tentado resolver as suas situações. No entanto, houve resistência dos refugiados", disse a responsável.

Na segunda-feira, três famílias de refugiados sírios instalados em Miranda do Corvo ficaram sem água e eletricidade nas casas que habitam por ordem da Fundação ADFP, proprietária das habitações.

Em declarações à agência Lusa, duas das famílias disseram que não têm dinheiro para pagar a mensalidade exigida pela instituição que os trouxe para Portugal há cerca de ano e meio, no âmbito de um programa de acolhimento de refugiados.

Os refugiados sírios queixam-se de que a Fundação ADFP pretende cobrar uma renda de 340 euros por cada apartamento T3, incomportável para a sua situação económica.

Segundo Paula Santos, da Fundação ADFP, muito antes de o programa terminar, "foram-lhes apresentadas casas e rendas mais baixas, entre os 190 e os 250 euros e eles não quiseram sair".

"Houve oportunidades de trabalho e também aí continuaram as mesmas resistências", sublinhou.

A Fundação ADFP já acolheu 88 refugiados, sendo que a sua maioria se autonomizou e outros saíram do país, mantendo ainda 20 pessoas em programa de acolhimento.

A própria instituição contratou um dos refugiados e integrou outro num programa de formação para pessoas com incapacidade, uma "vez que têm maior dificuldade em se autonomizar".

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