“Um bombardeio atingiu o prédio de vários andares onde ele morava. O seu apartamento foi incendiado”, descreve a fundação num comunicado, expressando o seu “horror” e lamentação da “perda de um amigo próximo”.

Aos 96 anos, o ex-prisioneiro de Buchenwald e vice-presidente do Comité Internacional Buchenwald-Dora para a Ucrânia morreu na sexta-feira, acrescentou a organização, que especifica que foi informada da sua morte pela sua neta.

Boris Romantschenko foi deportado para a Alemanha em 1942, aos 16 anos, como trabalhador forçado. Foi depois de uma tentativa de fuga que foi enviado para o campo de concentração de Buchenwald no centro da Alemanha em 1943.

O ex-prisioneiro foi internado em Peenemünde, Mittelbau-Dora e Bergen-Belsen, de acordo com a fundação.

Antes de regressar à Ucrânia, Boris Romantschenko teve que servir durante vários anos no Exército soviético estacionado na Alemanha Oriental, segundo a associação de caridade Maximilian Kolbe, envolvida em apoio material e psicológico a ex-prisioneiros de campos de concentração.

A associação estava em contacto há vários anos com Boris Romantschenko, que estava doente e mal podia sair apartamento onde morava sozinho, no oitavo andar de um prédio em Kharkiv, explicou à agência de notícias AFP uma funcionária.

“A terrível morte de Boris Romantschenko mostra o quanto a guerra na Ucrânia é uma ameaça para os sobreviventes dos campos de concentração”, ressaltou a Fundação Memorial de Buchenwald e Mittelbau-Dora, que está a tentar enviar medicamentos e alimentos aos ucranianos cercados.

A fundação estima que cerca de 42.000 sobreviventes da perseguição nazi vivem atualmente na Ucrânia.

Presente numa cerimónia de aniversário da libertação do campo de Buchenwald em 2012, Boris Romantschenko tinha lido na ocasião, recordou a fundação, o juramento de Buchenwald: “A construção de um novo mundo de paz e liberdade é o nosso ideal”.

Assediada pelas forças russa desde o início da invasão, a cidade ucraniana de Kharkiv tem sido alvo de vários ataques que atingiram residências de civis.

O Presidente russo, Vladimir Putin, continua a justificar a ofensiva contra a Ucrânia pela necessidade de “desnazificar” o país, um argumento de propaganda e uma referência à Segunda Guerra Mundial denunciada em particular pelos historiadores.

“Um prisioneiro de 96 anos dos campos de concentração nazi que sobreviveu a Buchenwald. Míssil russo [cai] no seu próprio apartamento em Kharkiv. Isto é o que eles chamam de ‘operação desnazificação'”, lamentou o chefe de gabinete do Presidente da Ucrânia, Andriy Yermak, numa mensagem no Telegram.

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