“É uma missão muito discreta, normalmente passa completamente despercebido, mas tem uma capacidade de recolha de informações única”, salientou o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, que esta terça-feira acompanhou a partida do submarino ‘Tridente’ da Base Naval de Lisboa, que se situa em Almada.

O submarino, da Marinha Portuguesa, vai participar na operação “Sea Guardian” da NATO e dará apoio à operação IRINI da União Europeia.

No âmbito da operação da Aliança Atlântica, que visa promover a segurança marítima no mar Mediterrâneo, o submarino português vai realizar “a recolha de dados de inteligência, análise dos padrões de comportamento na área e o controlo do espaço marítimo, com foco nas atividades de tráfico de estupefacientes, armas e pessoas, vigilância do tráfego marítimo e poluição marinha”.

Já a operação militar da União Europeia “IRINI” tem como missão principal “assegurar o cumprimento do embargo ao armamento imposto pela ONU à Líbia, contribuindo desta forma para o processo de paz do país”.

“Este trabalho que começa agora a ser feito pelo ‘Tridente’, que é no âmbito de uma missão da NATO, o “Sea Guardian”, mas também apoiando uma missão da UE, a missão IRINI, é uma missão extremamente valorizada, até porque ambas essas missões têm menos recursos do que seria o ideal e, portanto, o contributo de Portugal é muito valorizado, tanto pela sua qualidade, como pelo facto de disponibilizarmos um meio com esta categoria”, salientou o ministro.

Numas breves palavras dirigidas aos 33 militares, que têm regresso marcado para 13 de agosto, Gomes Cravinho sublinhou “o contributo incontornável que a presença da NATO e da UE têm na segurança do Mediterrâneo”, vincando que “Portugal esteve e está com os seus parceiros europeus e africanos na procura de soluções” para os conflitos na região.

Apontando para a importância de aprofundar a cooperação entre a UE e a NATO, Cravinho defendeu que “no momento atual é mais importante do que nunca traduzir este empenho político em ações concretas”.

“Disponibilizando meios e partilhando informação entre as duas missões, ambas as organizações obtêm importantes ganhos de eficiência apreciados por todos”, sustentou.

Nas palavras do Capitão-tenente Ribeiro da Paz, “o submarino é uma arma discreta e mantém-se discreta”.

O comandante do ‘Tridente’ destacou que os militares portugueses vão trabalhar “para que as linhas de navegação continuem a ser seguras e para que possam os produtos continuar a circular nos navios e chegar aos portos e a todas as famílias”.

“Esse é o principal objetivo do submarino, é fazê-lo de forma discreta, sem alterar o ambiente e sem mostrar que lá estamos”, apontou.

A sargento Andreia Salvador, única mulher a bordo, adiantou que terá como funções “garantir a operacionalidade do sistema de armas”, juntamente com o sargento Costa Carrilho.

Questionados sobre as dificuldades da vida ‘submarina’, Costa Carrilho apontou que esta “é uma vida” a que os militares se habituam “em pouco tempo”, apontando que “são muitas horas, compartimentos muito pequenos e espaços muito reduzidos”.

“Temos que aprender a viver com a vida do outro e a nossa, sem que a nossa interfira na do outro e a do outro respeite a nossa. Tem que haver muita camaradagem, muito respeito”, sublinhou.

“Passado uns dias habituamo-nos e o corpo começa a habituar. Nós fazemos questão de durante o dia termos as luzes ligadas, para sabermos que é de dia e à noite, na hora do silêncio, as luzes são apagadas mesmo para o nosso corpo saber que, ok, é hora de descanso e é de noite”, acrescentou Andreia Salvador.

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