“Vamos falar do futuro, não do passado”, disse o Presidente francês, Emmanuel Macron, ao receber o novo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, no Palácio do Eliseu, em Paris.

Albanese, que chegou ao poder em maio, após a vitória dos trabalhistas nas eleições gerais, “não é responsável pelo que aconteceu”, acrescentou Macron, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

Macron referia-se à decisão do anterior primeiro-ministro liberal Scott Morrison, em setembro de 2021, de cancelar o contrato com a França, no valor de 56.000 milhões de euros, em troca de submarinos de propulsão nuclear norte-americanos.

A opção pelos submarinos norte-americanos resultou do pacto de segurança para o Indo-Pacífico celebrado entre a Austrália, o Reino Unido e os Estados Unidos, conhecido por AUKUS, as iniciais em inglês dos três países.

As autoridades francesas consideraram a decisão como uma verdadeira traição e uma grave quebra de confiança, levando Macron a chamar os embaixadores franceses em Washington e em Camberra para consultas, numa decisão sem precedentes.

A França cancelou também várias reuniões na altura, incluindo com o ministro da Defesa britânico, e a União Europeia (UE) solidarizou-se com Paris.

No meio da chamada crise dos submarinos, Macron virou-se para outro importante ator regional, a Índia, com Paris e Nova Deli a manifestarem-se disponíveis para “agir conjuntamente no espaço Indo-Pacífico”.

Após uma primeira reunião com Macron esta semana, na cimeira da NATO em Madrid, Albanese disse que a sua visita a Paris representa um “novo começo nas relações bilaterais”.

“A confiança, o respeito e a honestidade contam”, afirmou, segundo a AFP.

Albanese considerou que a França é “não só uma grande potência europeia, mas também uma potência no Indo-Pacífico e mundial”.

“O seu envolvimento no Indo-Pacífico será essencial para enfrentar os desafios que a nossa região enfrenta”, acrescentou, observando que os dois países podem trabalhar em conjunto em questões de segurança.

Macron expressou um desejo comum de “reconstruir uma relação de confiança” entre os dois países “baseada no respeito mútuo, após uma fase difícil”.

Lembrou que a França tem “um milhão de compatriotas” e mais de 8.000 militares no Indo-Pacífico, referindo a Nova Caledónia, Polinésia, Reunião e Mayotte.

A França e a Austrália, a par dos Estados Unidos e do Reino Unido, têm manifestado preocupação com as ambições da China, que assinou um “acordo-quadro de segurança” com as ilhas Salomão, em abril.

O acordo levantou receios de que a China pretenda construir uma base naval no Pacífico Sul e projetar o seu poder marítimo para além das suas fronteiras.

O novo conceito estratégico da NATO, aprovado na cimeira de Madrid para vigorar durante 10 anos, inclui pela primeira vez uma referência à China como um desafio para a Aliança Atlântica.

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