A 8 de outubro os números começaram a fazer-nos recordar os primeiros tempos de pandemia, essencialmente no que diz respeito aos maiores registos de casos de infeção por dia: ultrapassávamos novamente os mil infetados. A partir daí, os quatro dígitos retomaram a sua ameaça.

Hoje, dia 14, a barreira é outra e ainda não a tínhamos saltado — Portugal registou 2.072 novos casos nas últimas 24 horas. Os valores mais altos desde o início da pandemia tinham sido atingidos em 10 de abril, com a notificação de 1.516 novas infeções, número que foi superado em 10 de outubro, quando se atingiram 1.646 casos.

Apesar de nos parecer um valor que não queremos que suba mais, tal pode não ser bem assim. A ministra da Saúde, Marta Temido, alertou hoje na conferência de imprensa para "uma tendência crescente, que tenderá a agravar-se nos próximos dias", caso não haja uma alteração de comportamentos da população.

E como é que se fazem estas contas? Os cálculos matemáticos estão a ser feitos pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge — que aponta para "perto de três mil casos dentro de alguns dias".

Todavia, há alguma esperança (o que não implica que os cuidados não sejam necessários). Marta Temido salientou que estes números não consideram as medidas decididas e anunciadas hoje em Conselho de Ministros, como o uso de máscara na via pública ou a redução para cinco pessoas do limite máximo de ajuntamentos. Ao todo, são oito novas medidas, que podem ser lidas aqui.

Para que não se verifique um agravamento da situação epidemiológica é necessário cumprir regras. Caso não seja este o caminho a ser tomado, a ministra da Saúde não tem dúvidas: Portugal irá "enfrentar uma situação de contágio crescente".

A governante sublinhou que a inversão dos modelos matemáticos depende daquilo que sejam as medidas que coletivamente se tomem, pelas organizações, pelo Governo e pela população.

Neste momento, a doença está a atingir sobretudo as faixas etárias entre os 20 e os 49 anos. Falamos de pessoas maioritariamente ativas — que precisam de sair para ir às universidades, para trabalhar, para levar filhos à escola e tantas outras coisas. E o que se quer é um regresso aos dias pré-pandemia, o que ainda não é totalmente possível.

"Todos aqueles que têm a aspiração de fazer as suas vidas, regressarem à normalidade, é importante terem presente que a doença não desapareceu e que só juntos poderemos enfrentar esta nova fase de crescimento e dar resposta a esta prova muito dura. Depende de todos estarmos à altura", observou.

Hoje, no dia em que ultrapassamos os dois mil casos, voltamos também a ouvir que o país passa a estado de calamidade. Uma consulta rápida ao dicionário diz-nos o que significa a palavra: um grande mal comum a muitos, um infortúnio público. O novo coronavírus conduz-nos a isso, mas só tem pernas para andar se as regras não forem cumpridas. E certamente não queremos saltar barreiras cada vez mais altas.

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