“Após meses de trabalho […], abriu-se uma janela de oportunidade para uma solução pacífica e democrática, que foi reconhecida por ambas as partes, a nível nacional, na região e em termos internacionais”, afirmou a Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini.

Falando num debate sobre a Venezuela na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, a responsável assinalou que “não se pode tomar como garantido, de todo, que esta janela de oportunidade será usada para alcançar uma solução política”.

“Pelo menos conseguimos parar a escalada de violência e demos uma chance a esta solução”, acrescentou Federica Mogherini.

Ainda assim, “o processo é extremamente débil e, por isso, devemos fazer tudo o que pudermos para acompanhar as conversações em Barbados”, vincou a responsável.

Na segunda-feira, o Governo da Venezuela e a oposição retomaram as conversações na nação caribenha de Barbados, onde na semana passada já decorreram diversos dias de conversações, num processo que está a ser mediado pela Noruega.

A oposição, apoiada pelos Estados Unidos, pretende o afastamento do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que recusa abandonar o cargo.

“Sabemos que o caminho para uma transição pacífica está cheio de obstáculos, mas, pela primeira vez em meses e até anos, este pode ser um passo preliminar na direção certa”, referiu Federica Mogherini.

E vincou: “Não há uma solução militar para a crise. Uma solução pacífica e democrática tem de ser alcançada a nível interno, nunca no exterior, mas devemos e podemos apoiar as negociações”.

Intervindo na sessão, o eurodeputado do PSD Paulo Rangel condenou “as violações sistemáticas dos direitos humanos” na Venezuela, bem como as dificuldades no acesso a ajuda humanitária.

Ao mesmo tempo, o social-democrata defendeu que se deve olhar para a “para a crise migratória na Colômbia e no Peru e até mesmo em territórios da UE, como Portugal e Espanha, onde afluem cada vez mais venezuelanos”.

Paulo Rangel criticou ainda “a ingerência externa inadmissível de Cuba e da Rússia”.

Por seu lado, a eurodeputada socialista Isabel Santos observou que “tragédia humanitária na Venezuela continua a chocar todos”, e pediu que a UE “continue a pugnar para que seja reposto o equilíbrio institucional”.

Já a eurodeputada Sandra Pereira, do PCP, condenou o que considerou ser o alinhamento da UE à “estratégia e interesses dos Estados Unidos para a região”.

Em causa estão, a seu ver, “sistemáticas ações de destabilização interna, tentativas de golpe de Estado, terrorismo, sabotagens, sanções, bloqueio económico, financeiro, político e diplomático”.

“São os interesses e as condições de vida do povo venezuelano, e em particular da imensa comunidade portuguesa naquele país, que a UE compromete”, adiantou, exigindo o “fim imediato de sanções e a defesa do diálogo e da paz”.

A Venezuela atravessa um período de grande tensão política desde janeiro, quando Maduro jurou um segundo mandato de seis anos, não reconhecido pela oposição e por cerca de 50 países pelo facto de os principais líderes opositores terem sido impedidos de participar nas eleições presidenciais.

Em resposta, o líder do parlamento, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino, alegando diversos artigos da Constituição venezuelana.

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