“Pretendemos não só manter os oleiros existentes, a trabalhar, como obviamente aumentar o número total de oleiros dando-lhes melhores condições de trabalho, mas também divulgando esta arte e garantindo a sua preservação”, afirmou Rui Santos.

O autarca falava à margem do primeiro encontro nacional “Bisalhães – A louça Preta”, que decorreu em Vila Real e assinalou o segundo aniversário da classificação do Processo de Confeção do Barro Preto de Bisalhães como Património Cultural Imaterial da UNESCO.

Rui Santos disse que “já está aprovado um curso de formação" para a Escola Profissional do Nervir e que “está tudo a ser preparado para que ele arranque e seja implementado”.

Este curso foi, segundo o autarca, aprovado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e pelo Ministério da Educação.

O objetivo é, segundo Rui Santos, “atrair novos oleiros e também novas formas de utilização”.

“As peças tradicionais são relevantes, importantes, há que as salvaguardar, mas todos percebemos que ao longo dos anos as necessidades vão evoluindo e os gostos vão-se alterando”, frisou.

O autarca adiantou que “novos designs, novas utilizações, novos conceitos, serão com certeza úteis para acrescentar valor a esta arte e para permitir que mais oleiros se dediquem a ela e possam viver dela”.

A formação é um dos pontos principais do plano de salvaguarda que acompanhou a candidatura à UNESCO e que prevê um investimento de 370 mil euros até 2020.

Em Bisalhães as peças são moldadas pelas mãos de Cesário Martins, Manuel Martins, Sezisnando Ramalho, Querubim Rocha, Albano Carvalho, Jorge Ramalho e Miguel Fontes. A maior parte destes oleiros tem mais de 80 anos.

No encontro nacional “Bisalhães – A louça Preta” falou-se sobre a certificação da louça preta de Bisalhães, um processo que está a dar os primeiros passos, da utilização das peças na gastronomia, em novos designs, da tradição e do futuro.

Durante o evento, o oleiro Miguel Fontes fez uma demonstração do trabalho na roda.

Aos jornalistas, o oleiro disse que tem notado uma curiosidade e grande vontade de experimentar o barro, principalmente por parte das crianças.

O ofício foi-lhe transmitido pela família e faz as peças que já os avós faziam pelo que se diz um pouco “preso à tradição”.

“Estamos abertos a novas ideias, mas que não comecem a desvirtuar muito aquilo que é o tradicional”, salientou Miguel Fontes.

Este é considerado um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI. O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.

As peças que nascem pelas mãos dos artesãos são depois cozidas em velhinhos fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma, carquejas e abafadas depois com terra escura, a mesma que lhe vai dar a cor negra.

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