Em causa está o facto de isto poder causar dúvidas quanto à sua imparcialidade, explica o Jornal Público.

O juiz explica, no pedido de escusa, que é sócio do Benfica desde os oito anos, tendo recebido a "Águia de ouro" por ser sócio há 50 anos, um "emblema de grande significado para todo o benfiquista".

Além disso, é titular de um lugar cativo no estádio da Luz, onde vai com regularidade assistir aos jogos, entre os quais, descreve, o Benfica-FC Porto, Benfica-Gil Vicente, Benfica-Olympique Lyonnais, Benfica-Rio Ave, Benfica-Famalicão e Benfica-Desportivo das Aves.

Por fim, o juiz detém também 250 acções do clube. “Adquiridas apenas com o propósito de ajudar o clube aquando da constituição da SAD e da sua entrada em bolsa”, justifica.

“Em suma, apesar da forma absolutamente anónima como frequenta o Estádio da Luz, [o juiz] é um fervoroso adepto do Benfica, vibrando com as suas vitórias e entristecendo-se com os seus insucessos”, conclui.

Apesar de considerar que tinha capacidade de exercer as suas funções com imparcialidade relativamente a este caso o juiz optou, face ao descrito, por pedir escusa do processo, por considerar que o seu clubismo pode levantar suspeitas quanto à sua imparcialidade.

“Há muito tempo a esta parte que o terreno futebolístico tem sido palco de acusações mútuas entre os principais clubes de futebol português, atribuindo-se estes reciprocamente a utilização de influências para conseguirem os seus objectivos, e nessas influências foram incluídas já áreas extra futebol, como sejam a área política e até a área judicial”, nota.

Em causa está o caso em que a SAD do FC Porto e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, foram condenados a pagar dois milhões de euros por divulgar emails do Benfica.

No processo movido pela SAD do Benfica, que reclamava 17,7 milhões de indemnização, foram condenados a SAD azul e branca e o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ao pagamento de 523 mil euros por danos patrimoniais emergentes e 1,4 milhões de euros por danos não emergentes, pela divulgação da correspondência. O presidente do clube, Pinto da Costa, os administradores dos 'dragões' Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o Porto Canal foram absolvidos.

Tanto o SL Benfica como o FC Porto recorreram da decisão para o Tribunal da Relação do Porto, tendo o processo calhado em sorteio ao juiz Eduardo Pires.

Em causa está a divulgação de correio eletrónico por Francisco J. Marques no programa televisivo Universo Porto da Bancada, do Porto Canal, entre abril de 2017 e fevereiro de 2018.

No processo, a SAD ‘encarnada’ corresponsabilizava por “danos de imagem” causados pela divulgação dos emails a homóloga do FC Porto, o presidente da SAD e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o diretor de comunicação, Francisco J. Marques, além da FCP Media, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.

O Benfica alegava que a divulgação dos emails lhe afetou a credibilidade, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da Sociedade Anónima Desportiva.

Já o FC Porto defendeu ter-se limitado a divulgar informação de interesse público, alegando que o correio eletrónico divulgado revelou práticas deturpadoras da verdade desportiva.

À data, o diretor de comunicação do FC Porto afirmou que foi condenado por ter dito a verdade: “fui condenado por dizer a verdade. Vou esperar que a justiça volte a ser cega”, escreveu Francisco J. Marques na sua conta no Twitter, horas depois de ter sido condenado. O diretor de comunicação portista garante que “os emails divulgados são genuínos, documentando efetiva correspondência trocada entre os respetivos remetentes e destinatários nos dias e horas neles consignados com o exato teor nele plasmado”.

Já o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, saudou a decisão judicial à data: "hoje mesmo ficámos a conhecer a exemplar condenação da conduta ilícita do Futebol Clube do Porto e de alguns dos seus colaboradores por sentença da Justiça. No âmbito dos processos por divulgação criminosa da nossa correspondência privada, já não é a primeira vez que os tribunais nos dão razão", lançou o líder das 'águias' durante uma assembleia-geral do clube.

Vieira destacou que "estando em investigação todo o processo do roubo, foi assim já dada como provada, mais uma vez, a existência de uma divulgação ilícita, mas também a manipulação e deturpação do conteúdo dos emails". E realçou: "Hoje, já ninguém dúvida de que fomos vítimas de vários crimes de enorme gravidade."

Segundo o dirigente, que apelou à moderação nas palavras e à ação vigorosa nos tribunais, "o tempo agora é da justiça", mostrando-se confiante de que vai "prevalecer a verdade" no final dos processos em curso.

"O que verdadeiramente esteve em causa é que, face à inexistência de uma estratégia própria, de uma organização e planeamento, perante o descalabro financeiro, à ausência de resultados desportivos e a um modelo de gestão que parou no tempo, esta foi a estratégia encontrada para criar um permanente ambiente de ameaça e coação sobre os diversos agentes desportivos, agora inovando para os novos modelos da criminalidade digital", atirou Vieira.

No centro deste caso, conhecido como caso dos emails estão denúncias do FC Porto, através do Porto Canal e pela voz de Francisco J. Marques, de uma alegada tentativa do Sl Benfica de influenciar a arbitragem.

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