“Sem Ibrahimovic, não há festa para ninguém”, disse Danijel Subašić, guarda-redes do Mónaco sobre o atual momento do tetracampeão francês Paris Saint-Germain (PSG). O croata teve o ponta-de-lança sueco como principal adversário - e pesadelo - durante três épocas na Ligue1.

Para Subašić, há um PSG antes e depois de Zlatan. E os números não mentem: os parisienses, comandados por Unai Emery e "órfãos" de Ibra no centro do ataque, marcam menos golos e perdem mais jogos. Em comparação com há um ano, equipa então comandada por Blanc, tinha mais 12 pontos, mais 10 golos marcados e menos 7 golos sofridos. 

E também há uma Liga Francesa antes e após Ibrahimovic. O sueco, a par de Thiago Silva, foi a primeira grande transferência do novo Paris Saint-Germain, o clube do milionário Nasser Al-Khelaifi, que deu um novo boost à Ligue1, um campeonato que se tinha tornado menos interessante com o domínio avassalador do Lyon, campeão por 7 épocas consecutivas, e pela falta de competitividade que se espelhava nas competições internacionais.

O PSG rejuvenesceu o futebol francês e formou um plantel de topo. Dí Maria, Marquinhos, David Luiz, Lucas Moura, Kurzawa, Trapp, Cavani, Matuidi... As estrelas são imensas e o plantel é recheado com várias soluções de qualidade.

A diferença nota-se, especialmente, se compararmos com os dois planteis das duas equipas que estão à frente dos parisienses no campeonato, o Mónaco e o Nice. Aliás, se colocarmos lado a lado o plantel da equipa de Unai Emery com qualquer outra do campeonato francês o contraste é nítido. O PSG tem um plantel, na teoria, de qualidade muito superior a qualquer outro conjunto.

Terão os parisienses cansado-se de ganhar?

Há um ano, o contraponto

No papel secundário, de assistente de Ibra, Edinson Cavani mostrava que podia dar mais. Nas três épocas em que conviveu com o sueco no Parque dos Príncipes (estádio do PSG) marcou 81 golos. Números que só parecem ser modestos quando comparados com os 121 de Zlatan, em igual período.

Com a saída do carismático avançado sueco, as luzes da ribalta apontaram para Cavani. O uruguaio, que sempre viveu na sombra de Zlatan desde que chegou a França - tendo mesmo sido obrigado a jogar fora da sua posição original -, passou a assumir o papel principal.

Cavani, que iniciou a época com o peso de substituir um Zlatan Ibrahimovic depois de este ter completado a sua melhor época ao serviço dos franceses - venceu todas as competições nacionais, chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e fez abanar as redes por 50 ocasiões -, não se tem saído mal até agora: tem já 24 golos apontados em 23 jogos, mais 11 do que ponta-de-lança sueco na época passada por esta altura.

Os motivos da "quebra"

Basta analisar as três épocas anteriores na Ligue1 para perceber a diferença que entre ter Ibra ou Cavani como elemento mais avançado no centro do ataque.

Em 2013/14, na primeira época em que os dois pontas-de-lança se encontraram em França, a diferença ficou logo vincada. O sueco marcou 26 golos e o uruguaio 16. Indo mais a fundo na questão, constatamos que dos 26 golos de Zlatan, 3 deles deram a vitória ao PSG e 1 deles assinalou uma reviravolta no resultado. Em contraponto, o ex-avançado do Nápoles apenas apontou um tento que garantiu a vitória aos parisienses.

Na temporada seguinte, em 2014/15, a diferença apenas aparenta ser menor. Ibra marcou 19 golos e Edinson Cavani 18. Nenhum dos golos do uruguaio foi preponderante, enquanto Zlatan teve 4 golos que garantiram a vitória ao Paris Saint-Germain e 1 que valeu a reviravolta. Tudo isto com o sueco a fazer menos 11 jogos que o compatriota sul-americano.

Na última época, para além de Ibrahimovic ter marcado o dobro dos golos de Cavani (38 contra 19), e desses, uma vez mais, 4 terem garantido a vitória aos parisienses e 1 deles consumado uma reviravolta, há outra diferença a assinalar: Ibra fez 12 assistências para golo e o uruguaio 5.

Tudo isto para mostrar que o sueco consegue ser mais preponderante numa equipa, mais um jogador de coletivo e, acima de tudo, um ponta-de-lança que decide jogos. Já Cavani é o oposto. Os 3 ‘bis’ e o ‘poker’ já assinados pelo uruguaio esta época cimentam isso: Edinson Cavani marca mais facilmente quando o jogo já está resolvido.

Falta Zlatan, mas também Blanc

Será injusto carregar as costas dos avançados dos gauleses de culpa. Por isso olhemos para a segunda alteração que ocorreu no Parque dos Príncipes, de uma época para a outra: a saída de Laurent Blanc.

O treinador francês esteve no PSG durante três temporadas. Durante esse período, venceu 3 campeonatos, 3 Taças da Liga de França, 3 Supertaças e 2 Taças de França. Nessas mesmas três temporadas os parisienses chegaram sempre aos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Tudo parecia correr de feição, mas os diretores do emblema milionário queriam mais. Queriam o sucesso europeu do clube de Paris. E a solução passava por uma mudança no comando técnico, recaindo a escolha para novo timoneiro em Unai Emery, o homem que, ao serviço do Sevilha, conquistou 3 troféus da Liga Europa consecutivos.

Contudo, as coisas não têm corrido de feição ao técnico espanhol. Ainda em processo de adaptação a uma realidade diferente, o basco não tem conseguido corresponder às expectativas e a prestação do PSG no campeonato tem sido o espelho da frustração de adeptos habituados a ganhar.

Com um plantel que já mostrou o que pode fazer, Unai Emery não pode estar, por isso, isento de responsabilidades neste primeiro terço de época desolador do PSG. Assim como a direção do clube, que arriscou ao demitir Laurent Blanc depois de três épocas praticamente exímias.

E o papel de ator secundário vai para...

Com a saída de Ibra o papel principal ficava assegurado. Mas quem assumiria uma posição secundária? Quem seria o suplente capaz de entrar e fazer a diferença e de passar a época a ‘morder os calcanhares’ a Cavani e a causar dores de cabeça a Unai Emery?

O PSG optou por Jesé, a promessa do Real Madrid que vivia na sombra dos BBC (Benzema, Bale e Cristiano). O espanhol chegou cheio de ganas - afinal de contas, era o seu momento de brilhar e a sua oportunidade de se afirmar -, mas as coisas não correram como esperado

O próprio Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, admitiu que a contratação do jovem espanhol foi um erro de casting, chegando mesmo a falar na possibilidade de uma eventual transferência no mercado de inverno.

Draxler para acertar as contas

Numa posição frágil no campeonato - os parisienses ocupam a terceira posição atrás de Nice e Mónaco - e depois de Jesé Rodriguez não ter correspondido às expetativas depositadas na sua contratação, a equipa liderada por Emery investe agora na aquisição de outra promessa: o alemão Julian Draxler.

Draxler caracteriza-se pela mobilidade no último terço do terreno, pela criatividade e pela capacidade de criar ocasiões de golo. O campeão do Mundo, que teve influência em 23 dos 47 golos do Wolfsburgo no campeonato alemão na temporada passada, vem para tentar baralhar as contas do treinador espanhol no que à escolha do 11 inicial diz respeito e para oferecer melhores opções a uma plantel já de si recheado de estrelas. 

Os dirigentes do PSG esperarão, por certo, que o médio chegue com fome de sucesso e que consiga repetir igual prestação numa altura em que é urgente uma mudança no rumo dos acontecimentos capaz de contrariar a 'surpresa' Nice, o revigorado Lyon e o "goleador" Mónaco, um dos melhores ataques dos principais campeonatos europeus.

Ainda assim, Draxler será mais uma estrela no meio de uma constelação que cobre o Parque dos Príncipes. No final, não há desculpas. Ibrahimovic foi uma perda sentida em Paris e Jesé não foi uma boa solução, mas o Paris Saint-Germain conta com um plantel alargado e ao nível dos melhores da Europa. E os adeptos querem exibições - e resultados - condizentes com isso mesmo.

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